quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Tarde demais

No Brasil, são os órgãos de preservação do patrimônio que se auto-fiscalizam. Podem, como nenhum outro, delimitar quando e onde devem atuar, e portanto, sempre entenderam ter o poder de negar suas próprias atribuições.
Ilustro: instado a se manifestar sobre problemas de conservação ou da própria preservação de bens de valor cultural, o órgão de preservação pode se dar ao luxo de negar o valor cultural do bem em questão, ou de afirmá-lo porém recomendando que a gestão se dê através de outras instâncias.
As críticas a este modelo não são poucas, visto ser uma aberração frente ao texto constitucional.
Entretanto, críticas sempre acabavam abafadas devido a confiança nos gestores da vez. Pois a vez de alguns gestores passou com os anos, e os gestores foram mudando.

Uma pena: como sempre se desconversou o problema, não se construiu um consenso mínimo para contornar este tipo de distorção, e de uns anos pra cá, temos colhido frutos dessas contradições com a indicação pontual de alguns gestores contrários às políticas de preservação.
É previsível que este tipo de situação tende a se intensificar, despertando muitas reações que infelizmente chegam tarde demais.
Quanto a uma proposição, não é preciso ir muito longe: muito se resolveria cumprindo-se o texto constitucional.