segunda-feira, 9 de março de 2009

Enxaimel em Hamburgo Velho

Apresentando... O Centro Histórico de Hamburgo Velho (Parte 2)
ATENÇÃO - ESTE ARTIGO NÃO DEVE SER REPRODUZIDOS SEM AUTORIZAÇÃO EXPRESSA.
Após a introdução histórica da parte I, seguimos agora apresentando o centro histórico de Novo Hamburgo, o bairro Hamburgo Velho.
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Hamburgo Velho em 1910. (Fonte: Enciclopédia Rio-Grandense)
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A técnica enxaimel
O enxaimel é uma técnica construtiva que consiste na montagem de uma estrutura independente de madeiras encaixadas – sem uso de pregos. O conhecimento construtivo veio com os imigrantes alemães, e foi aqui adaptado às necessidades e materiais encontrados na região.

Casa Schimitt-Presser, e a Fundação Scheffel em segundo plano (foto: Jorge Luís Stocker Jr.).
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As casas enxaimel foram construídas nos primórdios da colonização, consistindo na primeira forma de habitação definitiva. Mais tarde, a técnica seria substituída pelas construções de alvenaria no estilo eclético.
No bairro Hamburgo Velho, ainda hoje encontramos três exemplares desta técnica.
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Casa Schmitt-Presser
O mais importante exemplar de enxaimel de Hamburgo Velho, foi o primeiro representante desta técnica tombado pelo IPHAN. É possível observar que as vigas de madeira utilizadas na estrutura foram falquejadas de maneira rudimentar.
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Viga falquejada na casa Schimitt-Presser(foto: Jorge Luís Stocker Jr.).
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A Casa Schmitt-Presser abrigava o importante entreposto comercial citado no primeiro texto da série, devido a sua excelente localização.
Abriga hoje um museu, com acervo relativo à imigração alemã.
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Casa Kayser

Casa Kayser em 2009, depredada (foto: Elis Regina Berndt)
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Sobrado construído em enxaimel, apesar de ter sido inteiramente rebocado, com acréscimo inclusive de um friso na fachada. Ainda é possível observar a marcação das vigas de madeira pelo reboco nas laterais e fundos.
Seu interior ainda é bastante original, contando com mobiliário da padaria que já funcionou no local.
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Fundos da Casa Kayser, onde aparecem as vigas através do reboco. Ao fundo, a Igreja dos Reis Magos (IECLB) e ao lado, ruínas do Evangelische Stift (foto: Jorge Luís Stocker Jr.).
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Infelizmente, apesar de sua importância como exemplar da técnica, a casa não é tombada a nenhum nível. Encontra-se desocupada desde o falecimento dos proprietários. Suas esquadrias estão em avançada degradação.
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Esquadria degradada na casa Kayser (foto: Elis Regina Berndt)
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É inegável seu potencial para atividades culturais, ou até mesmo um museu, devido ao seu relativo bom estado de conservação do mobiliário original.

Casa Ody
Havia no local um importante exemplar de enxaimel, datado provavelmente de 1850. Infelizmente foi demolido e reconstruído com materiais atuais, um equívoco comum em algumas das “restaurações” realizadas no bairro.
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A casa Ody original, nos anos 90. Foto cedida por Paulo Dias Nunes.



A réplica construída no local (foto: Jorge Luís Stocker Jr.).
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O bairro perdeu assim um interessante exemplar de arquitetura vernacular, recebendo em substituição, uma lamentável réplica. Espera-se que este não seja o triste destino da Casa Kayser.

Texto: Jorge Luís Stocker Jr.

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Leia também

- Arquitetura da Imigração Alemã no Brasil (livro)- Arq. Günter Weimer

- Uma Venda Alemã - matéria sobre a Casa Schimitt-Presser

6 comentários:

  1. Fantástico esse estilo enxaimel ...
    Consiste em traços geometricamente perfeitos e dá um realce comtemporâneo.
    Com certexa germânicos o fazem muito bem e deixaram sua cultura marcada em algumas cidades do Brasil principalmente no Sul
    Aqui em Lavras MG existem perto da UFLA algumas semelhantes porém não de madeira como a dos primórdios. Tecnicas Alemãs! Simplesmete Fantástico!

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  2. Parabéns pelo seu blog Jorge precisamos continuar nesta luta pela valorização do nosso patrimônio cultural.
    E muito obrigado pela referência a postagem "Uma Venda Alemã" do nosso blog. Infelizmente essa nossa resposta demorou um pouco. O próprio blog está retomando agora depois de uma grande pausa.
    Sadações
    João Antônio
    Destinos do Sul

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  3. Permita-me fazer alguns acréscimos com relação a Casa Ody. Consta em sua matéria que ela provavelmente era de 1850, mas não seria possível.
    Eu sou trineto de Peter Joseph Ody, e atualmente pesquiso a genealogia da familia no Brasil, em especial no RS.

    Os primeiros imigrantes da familia Ody vieram em 1860 e 1862, totalizando 7 irmãos, sendo 3 homens, 3 mulheres solteiras, e 1 já veio casada - era a mais velha de todos - descobri em Nov/2015).

    Acredito que a casa tenha sido construída então por entre 1865 e 1870.
    Considerando que os imigrantes Ody tiveram seus filhos por São José do Hortencio e São Sebastião do Cahy, arrisco dizer que quem construiu a casa teria sido o Peter Joseph Ody ou descendente dele.

    O mesmo Joseph Ody era casado com Luisa Löblein, irmã de Maria Angelina Löblein, a última é a mãe de Pedro Adams Filho, grande industriário do setor calçadista de NH.

    Se houver informações que possa compartilhar comigo, gentileza procurar-me no facebook "Charles Odi", ODI mesmo, não é ODY. :(

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    Respostas
    1. Charles, a Casa Ody não foi construída pelos Ody. Foi ocupada por essa família a partir de 1920. Anteriormente, foi ocupada pela família Kroeff. Acho que isso esclarece a incongruência temporal! Abraço

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    2. Olá novamente Jorge.
      Bom vamos aos acréscimos baseados na reposta que me envias.
      Nesse caso de uma relação de compra e venda entre Ody e Kroeff, Os indicios são que os Ody são, como eu, descendentes do alemão Peter Joseph Ody.

      Agradeço por qualquer outra informação que puder acrescentar.

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