sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Exposição Fotográfica Hamburgo Velho, Novos Olhares

Exposição fotógrafica busca mostrar olhares diferenciados sob o centro histórico de Novo Hamburgo

Divulgação

Buscando retratar parte do extenso acervo histórico que se esconde por trás das diferentes igrejas, casas, museus e demais obras arquitetônicas do mais antigo bairro de Novo Hamburgo, o grupo Fotochimas apresenta a exposição: “Hamburgo Velho, Novos Olhares”. Escolhido como tema por sua relevância cultural, Hamburgo Velho foi o primeiro núcleo urbano da cidade e conserva, até hoje, um cenário bastante interessante e heterogêneo.

Na exposição, que será realizada de 20 de outubro a 11 de novembro, no Espaço Aberto, em Novo Hamburgo, poderão ser vistos os mais variados monumentos históricos e paisagens do bairro histórico. Uma sequência de 32 fotos busca lançar novos olhares sob o tema, que vem atraindo cada vez mais atenção.

Além do centro histórico, entre os locais retratados estão prédios situados na Rua General Osório, considerada um corredor histórico-cultural da cidade.
Com grande importância social, a Igreja Evangélica Luterana dos Reis Magos e a Igreja Nossa Senhora da Piedade também aparecem entre as imagens registradas pelas
lentes dos oito fotógrafos gaúchos, colegas do grupo Fotochimas.

Criado recentemente, o Fotochimas é um grupo formado por fotógrafos profissionais e amadores do Rio Grande do Sul, interessados em compartilhar informações e conhecimentos sobre fotografia. Para isto, o grupo promove vários encontros fotográficos, além de participar dos mais variados workshops e palestras sobre o assunto.

“Com a exposição, pretendemos mostrar aos visitantes todo o colorido, texturas, luzes e expressões que realçam as diferentes belezas que os cercam em Novo Hamburgo”, afirma Graziela de Oliveira, autora de 5 das 32 fotos.

Fotógrafos participantes:

Elis Regina Berndt*
Grazi Oliveira
Guilherme Skylwalker
Jorge Luís Stocker Junior*
Juliana Fleck
Rodrigo Gressler
Suzana da Luz

(*autores deste blog)

Exposição:
Hamburgo Velho, Novos Olhares
Apresentador: Fotochimas – Fotografia e Amizade
Data: de 20 de outubro a 11 de novembro
Horário de visitação: das 9 às 18 horas
Local: Espaço Aberto, Centro Cultural Albano Hartz, Calçadão de Novo Hamburgo
Informações: http://www.fotochimas.com.br

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Eles não estão mais entre nós

ATENÇÃO - ESTE ARTIGO NÃO DEVE SER REPRODUZIDOS SEM AUTORIZAÇÃO EXPRESSA.
O fantasma de bens históricos significativos, demolidos num passado recente, ainda assombram o meio urbano da cidade de Campo Bom (RS)
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Aspecto do centro histórico da cidade (fonte: Acervo digital / Roberto Atkinson)
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Campo Bom situa-se na Região Metropolitana de Porto Alegre, conurbada com o município de Novo Hamburgo. A "Pequena Gigante do Vale", como ficou conhecida devido a prosperidade econômica, tem desde sempre crescido sem a devida reflexão sob o meio urbano.
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Cinema Imperial, um dos bens que resistem no centro da cidade (foto: Elis Regina Berndt)
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Mas é com assombro que verificamos uma verdadeira "devastação" do seu patrimônio histórico arquitetônico. Torna-se difícil - senão impossível - a leitura dos diferentes momentos da história do município. Observamos a destruição completa de todas as casas enxaimel situadas na área urbana (que remeteriam ao período da colonização e características rurais), de praticamente todas as casinhas ecléticas ao longo da Avenida Brasil (antiga strassendorf pela qual desenvolveu-se o núcleo inicial) e o já significativo e gradual desaparecimento das construções do início do século XX (as casas ecléticas com influência da imigração).
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Analisando o Inventário do Patrimônio Cultural, realizado no ano de 1996 pelo poder público municipal, percebemos que em apenas 13 anos, a cidade perdeu uma dezena de importantes referenciais históricos.
Apresentaremos aqui três destas edificações.
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Villa Ida
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Aspecto da Villa Ida (fonte: acervo digital/Roberto Atkinson)
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Construída em 1924, a casa pertenceu ao proprietário da primeira fábrica calçadista do município, Gustavo Vetter. O nome é uma homenagem a sua esposa, Ida Blauth.
A Villa Ida foi demolida, apesar de constante no inventário remetido ao IPHAE e IPHAN, deixando uma triste lacuna no conjunto histórico antes existente no centro da cidade.
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Dentro deste conjunto, encontra-se a casa de Alfredo Blos, a antiga Estação Ferroviária, o Cinema Imperial, e o prédio da Fábrica dos Vetter. Tal conjunto encontra-se hoje irremediavelmente desfigurado.
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Conjunto histórico do centro da cidade, hoje desfigurado pela ausência da Villa Ida e modificação da casa à esquerda. A antiga casa de Alfredo Blos e a estação ferroviária ainda existem. (Fonte: acervo digital/Roberto Atkinson)
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Aspecto atual do terreno. Progresso? (Foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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Villa Julieta
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Aspecto da Villa Ida. (fonte: Arquivo digital/Pref. Municipal)
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Construída em 1931, projeto do construtor licenciado João Hilgert.
Teria sido demolida sem autorização, pouco tempo após a conclusão do inventário.
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A Villa Julieta também fazia parte de um conjunto histórico homogêneo. No entorno imediato, analisa-se a presença da Villa Ella, Sede Social do Clube XV, Casa de Felipe Blos (ainda existentes), e os prédios da Calçados Castello na esquina em frente (completamente desfigurado por painéis publicitários) e da primeira Prefeitura, no terreno ao lado e também já demolido.
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Aspecto do terreno, que serviu por décadas como posto de lavagem. Progresso? Atualmente a construção de um prédio residencial preenche o terreno. (Foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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Casa de Pedro Blos Fº
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A casa no ano de 2006, pouco tempo antes de sua demolição. (foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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Casa eclética integrante do conjunto histórico que caracterizava o bairro Porto Blos. Seu lote tem fundos para o Rio dos Sinos. Além do prédio original, contava com a mureta e portãozinho de acesso da época. Foi completamente demolida no ano de 2007.
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O terreno já vazio. Até mesmo a mureta foi demolida.
Apenas as palmeiras testemunham a existência anterior da casa. Progresso? (Foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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Estes são apenas 3 dos 10 bens inventariados demolidos.Podemos perceber, analisando o total dos dez bens históricos já demolidos na área urbana, que nenhum deles deu lugar a outra construção de relevância arquitetônica, social ou econômica.
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O que vemos não é o tão aclamado "progresso", mas uma devastação brutal e sem motivos. Afinal, os terrenos são usados hoje como postos de lavagem, estacionamentos, revendas de carros -, como se não houvessem outras áreas na cidade para abrigar tais estabelecimentos - ou mesmo continuam abandonados sem qualquer uso.
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Serão esses telheiros de brasilit/eternit ou esses terrenos baldios abandonados, o tão aclamado progresso evocado pela derrubada das casas?

Veja mais:
- Localização das casas com as imagens do inventário de 1996, no Panoramio do Die Zeit:
[1] Villa Ida
[2] Villa Julieta

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terça-feira, 21 de julho de 2009

Desaparece mais um capítulo de nossa história - Demolição de casa histórica em Novo Hamburgo (RS)

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Após uma verdadeira novela, envolvendo demolição não autorizada, obra embargada e diversas reportagens polêmicas nos jornais, mais uma casa localizada no centro histórico de Hamburgo Velho desaparece completamente sob nossos olhares impassíveis, deixando este importante conjunto cada vez mais desfalcado.
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(O vazio deixado pela demolição da casa histórica. Seu térreo, até então preservado, é intervenção posterior. foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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A casa, apesar das sucessivas reformas recebidas ao longo do tempo, tinha redobrada sua importância por encontrar-se dentro do Centro Histórico de Hamburgo Velho (delimitado pelo Plano Diretor do Município), um dos poucos sítios históricos urbanos referentes à imigração alemã existentes no Estado. Era parte integrante da paisagem urbana do bairro e inevitavelmente, entrava no conceito de conjunto, estando no entorno imediato de outras importantes construções históricas (Casa Kayser, antigo Evangelisches Stift, antiga Bier Garten e Igreja dos Reis Magos).
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Como sempre, as justificativas para demolição foram das mais infundadas, envolvendo "perigo de desabamento nos pedestres", "nenhum valor histórico", "irrelevância para a história da cidade", e até mesmo seu "estado de ruínas".
Pois bem, é impossível exigir que os imóveis históricos mantenham sua integridade e valor econômico após décadas de abandono, falta de manutenção, infiltração e descaso. Todos estes fatores apenas colaboram para a dificuldade de sua preservação, encarecendo ou até inviabilizando uma futura restauração. Estes problemas são fruto apenas do descuido com o próprio bem imóvel, e não uma consequência da antiguidade do bem.
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A espessura de suas paredes, reveladas durante a demolição da casa, revelaram a rigidez estrutural que as empenas mantinham apesar dos anos de abandono e falta de manutenção.
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Acompanhe as diversas fases que a casa passou, antes de sua completa demolição.
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- Em março de 2008, a casa encontrava-se em sua integridade. Apesar disso, eram claros os sinais de abandono observados nas esquadrias e no aparecimento de vegetação, prejudicando a empena. O assoalho de madeira, observável pelo térreo, já encontrava-se inteiramente apodrecido.
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(foto: Elis Regina Berndt)
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- Um ano depois, em março de 2009, já com a platibanda derrubada e telhamento retirado:

(foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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- Telhamento retirado, em abril de 2009. A casa permaneceu assim por meses:

(foto: Elis Regina Berndt)
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- Em Junho de 2009, a demolição foi reiniciada, sendo derrubadas as paredes laterais e todo o telhado. A obra foi embargada quando só restava a fachada frontal, sem resquícios de importância histórica. Nesta época, foram publicadas notícias no jornal da região.

(foto: Elis Regina Berndt)
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- Em 19 de Julho de 2009, com seu volume histórico já completamente demolido.

(foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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E assim termina mais um lamentável capítulo da incansável luta pela valorização e preservação do centro histórico de Novo Hamburgo. Seria completamente insano imaginar que o valor histórico da construção possa ser recuperado com uma reconstrução. Um documento histórico real nunca deve ser trocado por cópias e simulacros.

O enorme potencial cultural e turístico da região continua subutilizado, e como vemos neste caso, desperdiçado por falta de interesse e de informação - e quem sabe, de empreendedorismo por parte dos proprietários.
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Com muitas e tristes perdas nos últimos tempos (incluídas nesse rol as várias casas que foram inteiramente demolidas e reconstruídas em projetos de restauro no mínimo discutíveis - deixando-as comprometidas em seu valor histórico), Hamburgo Velho segue desvalorizada e com seu enorme potencial adormecido. Um tesouro usado como simples corredor de passagem para o crescente fluxo de carros da cidade. E infelizmente continuará assim, enquanto o "ranço" e o clima de má vontade e discórdia entre os diversos movimentos sociais e políticos interessados no bairro permanecer.
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Igreja dos Reis Magos agora destaca-se na Rua Maurício Cardoso. (foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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Este vazio urbano deixado pela demolição da casa histórica nos revela uma visual inédita da igreja dos Reis Magos, recentemente reinaugurada inteiramente restaurada. O projeto foi executado com recursos próprios da comunidade evangélica, que lutou por verbas sem nenhum apoio de leis de incentivo à cultura ou outros programas estatais, por não ser um bem tombado. Com esse episódio triste, temos a possibilidade de ver triunfar uma esperança logo atrás deste e de outros episódios lamentáveis!
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Texto: Jorge Luís Stocker Jr
Fotos:
Elis Regina Berndt e Jorge Luís Stocker Jr.

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Leia também:
- Matérias publicadas na DEFENDER, extraídas do Jornal NH, a respeito da casa histórica: [1 | 2]