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sábado, 20 de abril de 2013

A propósito da demolição da SAT – Vida e morte do patrimônio modernista no litoral norte gaúcho


Crédito da imagem: Cesar Girardi


No início da semana a sociedade gaúcha foi pega de surpresa com uma trágica notícia: a demolição de parte da sede social da SAT – Sociedade Amigos de Tramandaí, clube social e esportivo litorâneo muito conhecido por turistas, veranistas e moradores da cidade.
  A foto das obras chocou centenas de pessoas que guardavam com carinho memórias vinculadas ao espaço - em especial os bailes de carnaval. Chocante também a perda daquele referencial paisagístico querido, presente, marcando com obras de arte uma esquina no caminho de quem desce do centro para a praia ou vice-e-versa.
A propósito do despropósito da demolição da SAT, e da desvalorização do patrimônio do movimento moderno da arquitetura no litoral norte, tentamos ser breves mas não conseguimos. Tentamos ser técnicos, mas o lado afetivo impôs-se. Deixemos que ele fale mais alto.

A Vida - Litoral Norte e Patrimônio Moderno

O litoral norte gaúcho passou a ter no início do século XX grande importância para a sociedade. Nesta época estava em gestação um dos fundamentos da cultura sul rio-grandense, os “veraneios”, que dali pra frente cada vez mais mobilizariam a população.
A cultura dos “veraneios”, de lazer e terapêuticos, conheceu as versões campestre e litorânea, mas foi a segunda que de fato consolidou-se. O litoral norte, pela proximidade com a região metropolitana de Porto Alegre, mostrou-se o espaço mais propício para o estabelecimento desta cultura.
As viagens até o litoral, que inicialmente assemelhavam-se a odisséias, aos poucos foram tornando-se mais práticas com o advento dos automóveis e das estradas de rodagem melhor conservadas. Com isso o litoral norte consolidou-se como “segunda casa” para milhares de gaúchos. Grandes extensões de cômoros de areia foram dando lugar a dezenas de balneários, os chalés de madeira enfileiravam-se lado a lado, o traçado de cidade-jardim complementava o clima festivo e descompromissado de “colônia de férias”.
Tramandaí já era um pequeno povoado de origem luso-açoriana nos primórdios, sem fins de lazer e balneabilidade, e por esse motivo desenvolve-se em relação ao rio. Com a chegada dos veranistas, o núcleo urbano inicial se consolida, e logo o até hoje lembrado “bondinho” passaria a fazer a ligação entre o núcleo urbano e a praia, distante alguns quilômetros.
O rápido desenvolvimento do litoral torna-se uma realidade, e a população cada vez mais aficcionada pelos veraneios. O clima agradável e a tranqüilidade eram uma perfeita válvula de escape das cidades em pleno crescimento da região metropolitana.

Crédito da imagem: André Huyer.

As cidades litorâneas também consolidam-se como espaços de sociabilidade, onde velhos amigos se encontram, onde moradores de cidades distantes podem conviver como vizinhos durante alguns meses, e onde as famílias dispersas por várias casas e cidades conseguiam afirmar-se como famílias, reunidas sob um só teto, convivendo unidas pelo menos por alguns momentos no ano.
As amizades, somadas a presença de elementos teuto-brasileiros bastante afeitos ao espírito associativo foram viabilizando o surgimento das famosas “sociedades de amigos”, específicas de cada balneário. As Sociedades passavam a ser o principal palco da sociabilidade do litoral, e com a união e objetivos em comum, diversas delas conheceram a prosperidade, crescendo em importância e em número de associados.
A infra-estrutura de lazer conquistada em conjunto acompanhava todo um esforço de cooperação para a promoção de eventos (em especial os carnavais). Não a toa a construção das sedes sociais envolvia sócios e não sócios, com amplas campanhas de arrecadação de fundos.
É possível dizer que a arquitetura moderna encontrou no litoral norte gaúcho um dos principais palcos para manifestar-se. Era mais complicado implantar-se uma nova arquitetura nas cidades já saturadas de edificações de todos os tipos, com um mercado de construção civil cada vez mais restrito a edificações sem tanto cuidado arquitetônico e com uma vinculação afetiva cada vez menor das pessoas com as cidades.
Já no litoral era diferente: loteamentos em plena implantação propiciaram a aplicação de teorias urbanísticas novas, como a Cidade-Jardim pragmática adaptada pelo Eng. Ubatuba de Faria em Imbé e Atlântida. A demanda de construção de residências unifamiliares, tema querido de todas as teorias arquitetônicas, era significativa, em contraponto a demanda de apartamentos padronizados na cidade grande.
Uma expressão única de arquitetura começou a operar-se no litoral norte gaúcho: um modernismo nosso, adaptado pelos nossos arquitetos ao programa, situações, clima e gosto do cliente. Tivemos até mesmo chalés de traço modernista, inspirados em volumetrias de Niemeyer e com direito a cobogós, brise-soleil e muxarabis. O modernismo consolidou-se como em nenhum outro local do Estado como expressão máxima da arquitetura de um período.
Em Tramandaí, a sede social da SAT aparece como uma obra-prima que marca o auge de todo este ciclo, nos anos 60 e 70. O que houve de experimentação moderna na sede social da SAPI, da vizinha Imbé, foi perfeitamente desenvolvido na sede social do clube Tramandaiense.

Sede da SAPI, na vizinha Imbé. Fotos: Jorge Luís Stocker Jr.

Aparentemente construído em etapas, a arquitetura modernista do prédio da SAT remete a escola carioca, com suas generosas curvas, planos inclinados, volumetria arrojada. O prédio prima pelo formalismo em cada detalhe, apresentando obras de arte agregadas aos planos de fachada. As fenestrações em planos ou pautando a forma complementam a obra arquitetônica.
É importante ressaltar, ainda, o quanto o projeto da sede social da SAT, em sua totalidade, dialoga com o “espírito” do lugar: prima pela horizontalidade, tão característica do litoral norte gaúcho. Com nossa extensão de praia aberta, enxergamos a linha do horizonte integralmente. Sem acidentes naturais, assentado numa enorme planície arenosa, o litoral norte teve sua vocação para o horizontal traduzida e codificada em sua arquitetura moderna.


Crédito da imagem: André Huyer.

A morte – demolição do prédio da SAT

A infeliz notícia da demolição da esquina da sede social da SAT difundiu-se pelas redes sociais de forma viral. Foram dezenas de compartilhamentos, e centenas de lamentos. Acreditamos que ninguém imaginaria a quantidade de pessoas que tinham vínculos afetivos com aquele espaço.
Na defesa do patrimônio cultural gaúcho, nos deparamos frequentemente (e quase diariamente) com perdas irreperáveis de bens históricos. Mas podemos afirmar que jamais vimos um caso com tanta repercussão.
A demolição do prédio da SAT agride. Mexe com memórias. E não são quaisquer memórias: são memórias queridas, memórias de veraneio. Os melhores momentos da vida. Uma instituição gaúcha.
Aquele ponto marcante na Avenida da Igreja não existe mais. O monumento da garça, único contraponto vertical a horizontalidade do prédio, permanece como triste retrato do que sobrou. Espera para breve ser acompanhada de uma torre de apartamentos.


Crédito da imagem: Marione Otto.


A justificativa é a de sempre: dificuldades financeiras. Ontem a SAT fazia campanhas de arrecadação para ajudar causas diversas. Hoje, parece incapaz de fazer uma campanha para resgatar a si própria. Em momento de crise,  poderia-se reforçar a identidade da SAT, resgatar o espírito associativo, a vinculação afetiva com o espaço. Mas certamente o caminho mais fácil não apresentava tantos obstáculos a superar. Caminho este que aparece como o primeiro passo pra liquidá-la: aquele palco de tantas memórias torna-se repentinamente uma área condominial.

São só 25% por cento do prédio demolidos. Nos números tão pouco, mas na paisagem e na memória, uma soma significativa. O que seria de um livro, cortados 25%? Como entender um filme do qual se corta a melhor parte? O que é da nossa história enquanto sociedade, quando apagamos um trecho importante para no lugar inserir palavrões vulgares?


Crédito da imagem: Marione Otto.

Sem esquecer da soma de “tantos por cento” do novo prédio, que pretende-se construir na esquina, descontextualizando o antigo em sua harmonia de obra de arte. Agredindo a paisagem de Tramandaí em um dos seus únicos pontos de referência coletiva.
O apoio de veranistas, moradores e até associados da SAT ao embargo da demolição, conquistado pela pronta atuação do Ministério Público após denúncia da oscip Defender e de outros cidadãos, é indicativo de que algo está errado - e de que algo poderia, pôde e poderá ser feito pra reverter este tipo de situação.

A morte do patrimônio moderno no litoral norte gaúcho é uma realidade diária, triste e agressiva. Não é inevitável. Acontece porque queremos, ou porque deixamos. Instrumentos de proteção consagrados existem: apenas estamos evitando. Enquanto isso alguém está tripudiando sobre nossas memórias, sobre nossa identidade.

Não tão privilegiado pela natureza, nosso litoral norte tem por vocação a sociabilidade. É ela que estamos atacando. Estamos esquecendo a vinculação afetiva e social, que é base pra cultura do veraneio, e que ao desprezá-la estamos condenando nossas cidades litorâneas. Que a perda do prédio da SAT sirva de lição para que a sociedade busque reconhece-se em sua própria dimensão cultural. Só assim poderá evoluir. Do contrário, seguiremos nos vendendo facilmente (e com contrapartida irrisória) a qualquer ideal de “progresso” fajuto, vazio e que nada representa em termos de desenvolvimento humano e social.


Jorge Luís Stocker Jr.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Este blog está sendo processado.

Os autores deste blog estão sendo processados pela Prefeitura Municipal de Campo Bom - RS, representada através da sua Procuradora Geral.



Recebemos com surpresa no final de 2011 uma liminar relativa ao texto "Campo Bom Destrói", publicado em 07 de julho de 2011. (processo nº11100041551)

Anexa, estavam as as alegações infundadas de que teríamos invadido o site da Prefeitura e nos apoderado do lema "Campo Bom Constrói", dotado do brasão municipal, e que estaríamos nos utilizando deste brasão em proveito próprio para atividades de acadêmico e fotógrafa.

Estarrecedor é que, antes de recorrer ao Juízo, foi feito um B.O. - Boletim de Ocorrência buscando criminalizar os autores deste blog.

As alegações do pedido de liminar muito nos surpreenderam, pois além de ser completamente desnecessário "invadir" um site para copiar uma imagem institucional, é praticamente impossível imaginar como estaríamos conseguindo tirando proveito pessoal de um texto educativo, de caráter acadêmico e que visa a mobilização da comunidade pela valorização de seu legado (assunto de interesse público).

Também nos entristece que não tenha sido tentado nenhum contato pacífico anterior ao processo, oportunidade que teríamos de esclarecer a situação, as finalidades deste blog, a atuação da oscip Defender - Defesa Civil do Patrimônio Histórico, quem sabe abrindo um importante e necessário diálogo.

Felizmente, a coerência prevaleceu e a decisão da juíza que recebemos na liminar judicial cautelar solicitava apenas a retirada das imagens em que eventualmente apareciam o brasão municipal de Campo Bom, o que foi prontamente cumprido assim que recebidas as liminares. De fato, o brasão aparecia por coincidência e sem intenção ao lado da paródia que fizemos, "Campo Bom Destrói".



O vazio deixado pelo patrimônio cultural demolido, combinado com o silêncio que pretende-se impor sobre os que a este desmonte se opõe, é danoso para a identidade e auto-estima campo-bonense. O orgulho e comemoração da história autêntica não merece ser substituída por meros ufanismos políticos.

A adoção deste contraponto "Campo Bom destrói" ao conhecido lema municipal "constrói" foi um recurso visual encontrado para chamar atenção à triste situação dos bens inventariados da cidade de Campo Bom. Contrapondo as obras que, sorridente, a cidade apresenta; com os escombros de sua história que deixa derrubar. Mais do que simplesmente disparar críticas infundadas, pesquisamos por mais de três anos a situação do patrimônio neste município e verificamos que mais de 12 prédios históricos inventariados já foram completamente demolidos, sem que fossem procedidas as medidas necessárias para salvaguarda deste acervo.

O texto, difundido na internet, foi uma das formas encontradas para demonstrar que uma parte importante da identidade da cidade está indo por água abaixo, informando que existem disposições constitucionais que eventualmente estariam sendo descumpridas.

Nunca nos detivemos a uma postura de apenas reclamação: já realizamos em 2009 uma exposição fotográfica baseada em um projeto de educação patrimonial (Campo Bom: Legado Cultural) , em que foram apresentados os bens históricos do município, bem como pesquisamos, apresentamos e publicamos uma série de artigos científicos sobre a arquitetura de Campo Bom, valorizando o município em diversos eventos e congressos.

Lamentamos que a atual administração também sinta-se disposta a trazer pra si toda a "culpa" da situação. Afinal, sempre deixamos claro que trata-se de uma omissão colaborativa e cumulativa, em que a sociedade local e as sucessivas administrações não adotaram as medidas cabíveis para a preservação e tutela do patrimônio cultural inventariado. Nossos textos são e continuarão sendo uma das formas que adotamos para sensibilizar governos e sociedade para este tema tão importante quanto pouco debatido.

Se por um lado ficamos felizes em saber que representantes da administração municipal acompanham nosso blog, onde frequentemente denunciamos o histórico de descasos em diversos municípios - e infelizmente Campo Bom costuma ser um dos exemplos mais recorrentes, pela infinidade de exemplos - por outro nos causa estranhamento que a solução encontrada tenha sido um processo judicial solicitando que a matéria veiculada fosse removida.


Prédio inventariado demolido, apresentado no texto que a Administração Municipal quer tirar do ar, impedindo que a nova geração de campo bonenses possa desenvolver senso crítico a respeito da manutenção do patrimônio cultural, direito e dever constitucional.

Não é assim que se resolve problemas de gestão do patrimônio cultural. Gostaríamos muito que, pelo contrário, houvesse um diálogo saudável entre prefeitura e a sociedade civil organizada, junto aos órgãos de preservação federal e estadual, numa demonstração de boa disposição a resolver os problemas por nós apontados, pois todos sempre foram devidamente embasados na legislação vigente.

É o que continuaremos buscando, de forma pacífica como sempre agimos, contundentes naquilo que necessário, somando forças para demonstrar a importância do tema e pedindo providências a quem compete trazê-las.

Felizmente a internet dá voz e vez àqueles que, dependendo das mídias tradicionais, comprometidas com diversos outros interesses, estariam fadados ao silêncio. Estamos completando quase três anos disseminando a importância da preservação do patrimônio cultural, objetivo máximo do blog, sempre expondo os bons e os maus exemplos que forem necessários para o entendimento do tema e sua apropriação pela comunidade. Nos motivam aqueles que nos acompanham, e também outras administrações municipais que, em contato com abordagens críticas que fizemos neste blog, tiveram a maturidade de buscar soluções ou um debate mais aprofundado.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Campo Bom Destrói.

Vamos deixar nossa humilde contribuição dentro do tema do blog, demonstrando que Campo Bom Destrói, e muito, o pouco que restou de seu patrimônio cultural.

Vamos começar por algumas as casas listadas no inventário do patrimônio cultural de 1996 (ou seja, indicadas para preservação), já completamente demolidas:

- Casa Lanzer, situada na Av. Brasil. Demolida por seu “mal estado de conservação”:



- Villa Julieta, situada na Av. Brasil. Demolida durante tentativa de processo de tombamento estadual.



- Villa Ida, situada na Rua dos Andradas. Caso emblemático na cidade, foi demolida sem autorização, durante processo do inventário. Na época, cogitou-se instalar um museu no local. Mas devido a politicagem, a demolição foi concluída e o terreno vendido.



- Casa Kleinkauf, situada na Av. Presidente Vargas. Demolição autorizada pela Prefeitura Municipal, sem qualquer tipo de discussão;




- Casa de Edith Blos, na Av. Presidente Vargas, integrante do extinto conjunto histórico do bairro Porto Blos, do qual só resta uma casa.




- Casa de Pedro Blos Filho, na Av. Presidente Vargas, também integrante do extinto conjunto histórico do bairro Porto Blos, demolição autorizada pela Prefeitura.



- Casa que sediou a primeira Prefeitura da cidade.




- Casa Feltes, que fazia parte do conjunto da rua dos Andradas




- Casa Goedtel, demolida recentemente, uma das últimas casas históricas existentes na principal avenida da cidade.



- Casa Pereira da Silva, situada na rua São Paulo, deu lugar a um posto de lavagem.





- Casa Rosenthal, deu lugar a um terreno baldio.




Esta lista certamente já está desatualizada, visto que a média de demolições é altíssima. E estamos considerando apenas demolições de bens legalmente protegidos pelo inventário.

Lembramos que isto não é questão de prioridades da gestão ou de opção de gosto - ser conivente com a demolição do patrimônio cultural é anticonstitucional, pois segundo o constante na Constituição da República Federativa, Artigo 216:

“O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.”

O inventário de 1996, feito por iniciativa da própria administração municipal de Campo Bom em convênio com os atuais IPHAE-RS e IPHAN, definiu o que era considerado patrimônio cultural da cidade. Desde então, as administrações sucessivas DESCUMPREM sua função de proteger e promover este patrimônio.

A importância do inventário como instrumento é reforçado pela Lei Estadual nº 10.116, de 1994:

"Art. 40 - Prédios, monumentos, conjuntos urbanos, sítios de valor histórico, artístico, arquitetônico, paisagístico, arqueológico, antropológico, paleontológico, científico, de proteção ou preservação permanente, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, não poderão, no todo ou em parte, ser demolidos, desfigurados ou modificados sem autorização.
§ 1º - Para identificação dos elementos a que se refere este artigo, os municípios, com o apoio e a orientação do Estado e da União, realizarão o inventário de seus bens culturais."

O próprio município em questão possui lei de tombamento. Trata-se da Lei Municipal nº 2.494, de 29/07/2003, que dispõe sobre a proteção do Patrimônio Histórico e Cultural do Município e constitui o Conselho Municipal de Patrimônio Cultural. No entanto, esta lei jamais foi aplicada.

Será que um município cuja colonização remonta a 1825, e que teve mais de 40 bens inventariados, não possui nenhum bem histórico digno de tombamento municipal?

Somos especialistas em demolir o patrimônio cultural, motivo pelo qual somos um contra-exemplo para toda a região neste quesito.

*Todas as fotos em preto e branco, com exceção das fotos da Villa Julieta e Villa Ida, são do Inventário do Patrimônio Cultural de 1996 do IPHAE. As demais fotografias são dos levantamentos do autor, durante pesquisa sobre este inventário iniciada em 2009.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Apagando a história do centro (histórico) - Porto Alegre (RS)

Reconhecido por sua riqueza cultural, o centro da cidade de Porto Alegre, capital gaúcha, foi recentemente re-batizado "Centro Histórico". A iniciativa, que busca associar a imagem do bairro ao seu patrimônio, parece ter se limitado apenas a uma mudança de nome.

Detalhe da Residência de Frederico Guilherme Jung, projeto de 1905 atribuído ao Arq. Hermann Otto Menchen. Um peculiar exemplar eclético com características neogóticas, completamente em ruínas, situado na Marechal Floriano, 520. (Foto: Jorge Luís Stocker Jr./2009)

Quem passeia pelas ruas do centro de Porto Alegre com um olhar mais atento, depara-se com uma riqueza arquitetônica ímpar. São várias as características que identificam a arquitetura da cidade, formando um conjunto rico e heterogêneo que abrange as mais variadas manifestações arquitetônicas.

No perímetro central, a quantidade de bens tombados é, para padrões brasileiros, até considerável; estando muitos deles ocupados por centros culturais, museus, e outras instituições públicas. Mas além destes exemplares já reconhecidos do patrimônio cultural, existem centenas de edificações interessantes que merecem um olhar mais acurado e um estudo aprofundado de sua história.
Reconhecendo a diversidade desta riqueza, o poder público municipal de Porto Alegre recentemente rebatizou o bairro, alterando sua denominação para "CENTRO HISTÓRICO".


Detalhe do Palacete Amália Barcelos, projetado pelo Arq. Ricardo Wriedt em 1921. Situa-se na esquina da Duque de Caxias comVigário José Inácio. (Foto: Jorge Luís Stocker Jr/2009)

A iniciativa é interessante e demonstra uma visão mais ampla do conceito de patrimônio cultural e de sítios históricos. Definitivamente, não se trata de um conjunto homogêneo. Há, no entanto, uma densidade considerável de prédios de interesse histórico, arquitetônico e cultural. São resquícios coloniais, convivendo com residências, palacetes e prédios ecléticos; além de interessantes edificações Art Deco, algumas poucas com influencia Art Nouveau, e grandes prédios proto-modernos e finalmente, modernistas.

Toda esta riqueza, supõe-se, estaria sendo valorizada através do reconhecimento como "Centro Histórico" da cidade. Assumindo a condição de um sítio histórico, o bairro deveria por consequência (e bom senso) ser urgentemente submetido a um extenso levantamento e pesquisa; resultando em um inventário e mapeamento digital completo - de preferência, procedido por profissionais com amplos conhecimentos na área e sem vínculos políticos. Um estudo que levasse em consideração as recentes descobertas das pesquisas acadêmicas, contemplando não apenas os remanescentes ecléticos, mas os tantos exemplares proto-modernos e modernistas que trazem peculiaridades e que definitivamente fazem parte da paisagem porto-alegrense.

No entanto, o que verificamos no dia-a-dia é justamente, o desprezo do poder público e a conivência da sociedade com a destruição ou desfiguração de importantes componentes do conjunto histórico. Tão celebrado e "vendido" aos turistas, o centro vai se tornando cada vez menos "histórico".

Deformação na Rua da Praia

Um recente caso aconteceu a um exemplar eclético da Rua da Praia, uma das vias públicas mais relevantes da cidade (e a mais emblemática durante a vigência do estilo eclético).


Vista da rua da Praia com o prédio antes de sua modificação. (foto cedida pelo forista Minuano/Skyscrapercity Brasil)

O prédio, indicado à esquerda, apresentava sua fachada relativamente bem conservada em relação a provável configuração original. Remontava ao período social mais importante da Rua da Praia, apresentando uma fachada eclética rica em detalhes e ornamentação. No entanto, apesar da inegável importância no contexto que ocupava, este prédio foi integralmente descaracterizado, sem qualquer reflexão ou manifestação pública no sentido de pesquisar mais profundamente sua importância ou comprovar sua importância no conjunto.

Prédio durante as obras, respeitando a legislação e critérios de segurança. Tudo "dentro da lei"(foto cedida pelo forista Minuano/Skyscrapercity Brasil)

O assombroso é que esta descaracterização se deu às claras, e sob o rigor da "lei": teria sido aprovada pelo setor competente. Oficializa-se, assim, mais um caso típico, onde estes lamentáveis ataques contra o patrimônio cultural são cometidos com a conivência e aprovação do poder público - constitucionalmente responsável por sua conservação e zelo.

Fica no ar, então, uma série de dúvidas. A primeira delas, é quanto a própria denominação de "CENTRO HISTÓRICO", visto que a desfiguração deste exemplar demonstra uma séria contradição a tal denominação.


A situação atual do prédio, completamente desfigurado.(foto cedida pelo forista Minuano/Skyscrapercity Brasil)

A descaracterização se mostra completamente desprovida de sentido: não adiciona nenhum valor arquitetônico contemporâneo ou funcionalidade. É visível que, além da péssima qualidade arquitetônica resultante desta intervenção, as modificações não foram introduzidas de forma a viabilizar novos usos. Percebe-se que sequer foram alteradas as aberturas: a intenção parece, salvo engano, simplesmente desfigurar uma edificação histórica, "tirar-lhe" qualquer valor que possa resultar numa futura proteção legal.

Uma edificação eclética, integrante do conjunto que caracteriza o Centro Histórico de Porto Alegre, tornou-se mais um exemplar qualquer, rotineiro, desprovido de qualquer valor, interesse ou significado; graças a conivência do poder público.

Estaria este prédio arrolado no inventário recentemente atualizado do centro? Caso estivesse, por que a modificação não foi barrada pelo poder público? Se não integrava a listagem, qual o critério adotado pelo poder público para a seleção das edificações? E qual, afinal, o tratamento que está sendo dispensado a este inventário - que importância está se atribuindo a este importante levantamento? Esta demolição foi aprovada pela comissão do patrimônio cultural?

Retrato do "abandono moral" do centro histórico. (Foto: Jorge Luís Stocker Jr/2010)

É visível que a visão de patrimônio histórico limitado apenas aos bens tombados e desapropriados pelo poder público; constituindo pequenas ilhas ou "pontos de interesse" espalhados pela cidade, não é saudável para a compreensão do bairro como um todo, um conjunto (não apenas histórico, mas um "conjunto" de edificações que realmente faça sentido através de suas formas e usos).

Um retrato ineficiência desta visão se manifesta mesmo em bens tombados, mas de propriedade particular. Na rua Riachuelo: um dos últimos exemplares coloniais sucumbe e, apesar de estar tombado há décadas, não verifica-se iniciativas no sentido de valorizá-lo aos olhos da população, quanto menos, de recuperar sua integridade e sua utilidade.


Casa Ferreira de Azevedo: tombada, mas completamente abandonada e desfigurada, próxima a Igreja Nossa Senhora das Dores, na Rua Riachuelo. (foto: Jorge Luís Stocker Jr./2008)

Que tipo de centro histórico Porto Alegre merece, afinal?

Leia também:

- Link sobre a Casa Ferreira de Azevedo na Wikipedia;

- Veja o que já escrevemos sobre a importância de preservar o patrimônio cultural no meio urbano;

- Nosso artigo sobre a desfiguração do legado modernista de Porto Alegre;

- Livro: Arquitetura Erudita da Imigração Alemã no RS - Günter Weimer (fonte das informações das imagens 01 e 02)


quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Eles não estão mais entre nós

ATENÇÃO - ESTE ARTIGO NÃO DEVE SER REPRODUZIDOS SEM AUTORIZAÇÃO EXPRESSA.
O fantasma de bens históricos significativos, demolidos num passado recente, ainda assombram o meio urbano da cidade de Campo Bom (RS)
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Aspecto do centro histórico da cidade (fonte: Acervo digital / Roberto Atkinson)
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Campo Bom situa-se na Região Metropolitana de Porto Alegre, conurbada com o município de Novo Hamburgo. A "Pequena Gigante do Vale", como ficou conhecida devido a prosperidade econômica, tem desde sempre crescido sem a devida reflexão sob o meio urbano.
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Cinema Imperial, um dos bens que resistem no centro da cidade (foto: Elis Regina Berndt)
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Mas é com assombro que verificamos uma verdadeira "devastação" do seu patrimônio histórico arquitetônico. Torna-se difícil - senão impossível - a leitura dos diferentes momentos da história do município. Observamos a destruição completa de todas as casas enxaimel situadas na área urbana (que remeteriam ao período da colonização e características rurais), de praticamente todas as casinhas ecléticas ao longo da Avenida Brasil (antiga strassendorf pela qual desenvolveu-se o núcleo inicial) e o já significativo e gradual desaparecimento das construções do início do século XX (as casas ecléticas com influência da imigração).
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Analisando o Inventário do Patrimônio Cultural, realizado no ano de 1996 pelo poder público municipal, percebemos que em apenas 13 anos, a cidade perdeu uma dezena de importantes referenciais históricos.
Apresentaremos aqui três destas edificações.
ESTE ARTIGO NÃO PODE SER REPRODUZIDO SEM AUTORIZAÇÃO EXPRESSA.
Villa Ida
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Aspecto da Villa Ida (fonte: acervo digital/Roberto Atkinson)
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Construída em 1924, a casa pertenceu ao proprietário da primeira fábrica calçadista do município, Gustavo Vetter. O nome é uma homenagem a sua esposa, Ida Blauth.
A Villa Ida foi demolida, apesar de constante no inventário remetido ao IPHAE e IPHAN, deixando uma triste lacuna no conjunto histórico antes existente no centro da cidade.
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Dentro deste conjunto, encontra-se a casa de Alfredo Blos, a antiga Estação Ferroviária, o Cinema Imperial, e o prédio da Fábrica dos Vetter. Tal conjunto encontra-se hoje irremediavelmente desfigurado.
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Conjunto histórico do centro da cidade, hoje desfigurado pela ausência da Villa Ida e modificação da casa à esquerda. A antiga casa de Alfredo Blos e a estação ferroviária ainda existem. (Fonte: acervo digital/Roberto Atkinson)
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Aspecto atual do terreno. Progresso? (Foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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Villa Julieta
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Aspecto da Villa Ida. (fonte: Arquivo digital/Pref. Municipal)
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Construída em 1931, projeto do construtor licenciado João Hilgert.
Teria sido demolida sem autorização, pouco tempo após a conclusão do inventário.
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A Villa Julieta também fazia parte de um conjunto histórico homogêneo. No entorno imediato, analisa-se a presença da Villa Ella, Sede Social do Clube XV, Casa de Felipe Blos (ainda existentes), e os prédios da Calçados Castello na esquina em frente (completamente desfigurado por painéis publicitários) e da primeira Prefeitura, no terreno ao lado e também já demolido.
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Aspecto do terreno, que serviu por décadas como posto de lavagem. Progresso? Atualmente a construção de um prédio residencial preenche o terreno. (Foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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Casa de Pedro Blos Fº
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A casa no ano de 2006, pouco tempo antes de sua demolição. (foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
ESTE ARTIGO NÃO PODE SER REPRODUZIDO SEM AUTORIZAÇÃO EXPRESSA.
Casa eclética integrante do conjunto histórico que caracterizava o bairro Porto Blos. Seu lote tem fundos para o Rio dos Sinos. Além do prédio original, contava com a mureta e portãozinho de acesso da época. Foi completamente demolida no ano de 2007.
ESTE ARTIGO NÃO PODE SER REPRODUZIDO SEM AUTORIZAÇÃO EXPRESSA.

O terreno já vazio. Até mesmo a mureta foi demolida.
Apenas as palmeiras testemunham a existência anterior da casa. Progresso? (Foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
ESTE ARTIGO NÃO PODE SER REPRODUZIDO SEM AUTORIZAÇÃO EXPRESSA.
Estes são apenas 3 dos 10 bens inventariados demolidos.Podemos perceber, analisando o total dos dez bens históricos já demolidos na área urbana, que nenhum deles deu lugar a outra construção de relevância arquitetônica, social ou econômica.
ESTE ARTIGO NÃO PODE SER REPRODUZIDO SEM AUTORIZAÇÃO EXPRESSA.
O que vemos não é o tão aclamado "progresso", mas uma devastação brutal e sem motivos. Afinal, os terrenos são usados hoje como postos de lavagem, estacionamentos, revendas de carros -, como se não houvessem outras áreas na cidade para abrigar tais estabelecimentos - ou mesmo continuam abandonados sem qualquer uso.
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Serão esses telheiros de brasilit/eternit ou esses terrenos baldios abandonados, o tão aclamado progresso evocado pela derrubada das casas?

Veja mais:
- Localização das casas com as imagens do inventário de 1996, no Panoramio do Die Zeit:
[1] Villa Ida
[2] Villa Julieta

ATENÇÃO - ESTE ARTIGO NÃO DEVE SER REPRODUZIDOS SEM AUTORIZAÇÃO EXPRESSA.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Desaparece mais um capítulo de nossa história - Demolição de casa histórica em Novo Hamburgo (RS)

ATENÇÃO - ESTE ARTIGO NÃO DEVE SER REPRODUZIDOS SEM AUTORIZAÇÃO EXPRESSA.
Após uma verdadeira novela, envolvendo demolição não autorizada, obra embargada e diversas reportagens polêmicas nos jornais, mais uma casa localizada no centro histórico de Hamburgo Velho desaparece completamente sob nossos olhares impassíveis, deixando este importante conjunto cada vez mais desfalcado.
ESTE ARTIGO NÃO PODE SER REPRODUZIDO SEM AUTORIZAÇÃO EXPRESSA.

(O vazio deixado pela demolição da casa histórica. Seu térreo, até então preservado, é intervenção posterior. foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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A casa, apesar das sucessivas reformas recebidas ao longo do tempo, tinha redobrada sua importância por encontrar-se dentro do Centro Histórico de Hamburgo Velho (delimitado pelo Plano Diretor do Município), um dos poucos sítios históricos urbanos referentes à imigração alemã existentes no Estado. Era parte integrante da paisagem urbana do bairro e inevitavelmente, entrava no conceito de conjunto, estando no entorno imediato de outras importantes construções históricas (Casa Kayser, antigo Evangelisches Stift, antiga Bier Garten e Igreja dos Reis Magos).
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Como sempre, as justificativas para demolição foram das mais infundadas, envolvendo "perigo de desabamento nos pedestres", "nenhum valor histórico", "irrelevância para a história da cidade", e até mesmo seu "estado de ruínas".
Pois bem, é impossível exigir que os imóveis históricos mantenham sua integridade e valor econômico após décadas de abandono, falta de manutenção, infiltração e descaso. Todos estes fatores apenas colaboram para a dificuldade de sua preservação, encarecendo ou até inviabilizando uma futura restauração. Estes problemas são fruto apenas do descuido com o próprio bem imóvel, e não uma consequência da antiguidade do bem.
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A espessura de suas paredes, reveladas durante a demolição da casa, revelaram a rigidez estrutural que as empenas mantinham apesar dos anos de abandono e falta de manutenção.
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Acompanhe as diversas fases que a casa passou, antes de sua completa demolição.
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- Em março de 2008, a casa encontrava-se em sua integridade. Apesar disso, eram claros os sinais de abandono observados nas esquadrias e no aparecimento de vegetação, prejudicando a empena. O assoalho de madeira, observável pelo térreo, já encontrava-se inteiramente apodrecido.
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(foto: Elis Regina Berndt)
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- Um ano depois, em março de 2009, já com a platibanda derrubada e telhamento retirado:

(foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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- Telhamento retirado, em abril de 2009. A casa permaneceu assim por meses:

(foto: Elis Regina Berndt)
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- Em Junho de 2009, a demolição foi reiniciada, sendo derrubadas as paredes laterais e todo o telhado. A obra foi embargada quando só restava a fachada frontal, sem resquícios de importância histórica. Nesta época, foram publicadas notícias no jornal da região.

(foto: Elis Regina Berndt)
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- Em 19 de Julho de 2009, com seu volume histórico já completamente demolido.

(foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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E assim termina mais um lamentável capítulo da incansável luta pela valorização e preservação do centro histórico de Novo Hamburgo. Seria completamente insano imaginar que o valor histórico da construção possa ser recuperado com uma reconstrução. Um documento histórico real nunca deve ser trocado por cópias e simulacros.

O enorme potencial cultural e turístico da região continua subutilizado, e como vemos neste caso, desperdiçado por falta de interesse e de informação - e quem sabe, de empreendedorismo por parte dos proprietários.
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Com muitas e tristes perdas nos últimos tempos (incluídas nesse rol as várias casas que foram inteiramente demolidas e reconstruídas em projetos de restauro no mínimo discutíveis - deixando-as comprometidas em seu valor histórico), Hamburgo Velho segue desvalorizada e com seu enorme potencial adormecido. Um tesouro usado como simples corredor de passagem para o crescente fluxo de carros da cidade. E infelizmente continuará assim, enquanto o "ranço" e o clima de má vontade e discórdia entre os diversos movimentos sociais e políticos interessados no bairro permanecer.
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Igreja dos Reis Magos agora destaca-se na Rua Maurício Cardoso. (foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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Este vazio urbano deixado pela demolição da casa histórica nos revela uma visual inédita da igreja dos Reis Magos, recentemente reinaugurada inteiramente restaurada. O projeto foi executado com recursos próprios da comunidade evangélica, que lutou por verbas sem nenhum apoio de leis de incentivo à cultura ou outros programas estatais, por não ser um bem tombado. Com esse episódio triste, temos a possibilidade de ver triunfar uma esperança logo atrás deste e de outros episódios lamentáveis!
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Texto: Jorge Luís Stocker Jr
Fotos:
Elis Regina Berndt e Jorge Luís Stocker Jr.

ATENÇÃO - ESTE ARTIGO NÃO DEVE SER REPRODUZIDOS SEM AUTORIZAÇÃO EXPRESSA.

Leia também:
- Matérias publicadas na DEFENDER, extraídas do Jornal NH, a respeito da casa histórica: [1 | 2]