quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Pensar no atual como legado para o futuro

ATENÇÃO: ESTE ARTIGO NÃO É CONTEÚDO LIVRE E SÓ PODE SER REPRODUZIDO TOTAL OU PARCIALMENTE SOB AUTORIZAÇÃO EXPRESSA DOS AUTORES.
Nestes tempos de decadência urbana, carrodependência, constantes mudanças e falta de referenciais, parar para pensar no meio urbano e na arquitetura como um legado para o futuro parece ser uma atitude cada vez menos comum.

Este “desapego” aos espaços e ao que eles podem representar é uma das conseqüências da modernidade, e reflete-se tanto na massiva demolição do patrimônio histórico, quanto na construção de edificações sem qualquer qualidade arquitetônica. Vivemos a era do “descartável”, e a cidade não escapa à regra.
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A falta de reflexão teórica sobre arquitetura e a existência de planos diretores defasados, apenas preocupados com a circulação de carros e com expansão imobiliária, intensifica a decadência urbana e visual de nossas cidades. Tudo sob o ultrapassado signo do “progresso” – que se dá às custas das sandices do mercado e a busca incessante por lucro fácil. Como um exemplo de mais acessível entendimento, está o trânsito confuso, até mesmo nas menores cidades.
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Novo Hamburgo: Bagunça na escala da cidade, em vista destacando área do centro histórico de Hamburgo Velho. Não há uma transição harmônica de limite de alturas, deixando a torre da Igreja dos Reis Magos e o Monumento à Imigração desvalorizado, e desvalorizando as próprias torres residenciais na paisagem. (Foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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Das demolições, surgem então exemplares de uma arquitetura completamente subordinada ao que o “mercado quer”. São prédios pretensamente funcionais, com os repetitivos grandes panos de vidro para lojas comerciais, ocupação máxima de área, revestimentos repetitivos de cerâmica, enormes placas publicitárias... Um total “não pertencimento” a nada, sem vínculos com a cidade em que se situa nem com qualquer ramificação da arquitetura contemporânea qualificada.
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Mesmo quando a intenção parece ser das melhores, vemos as conseqüências da falta de correta reflexão. Que o digam as centenas de “enxaimelóides” e “castelinhos” da Serra Gaúcha, que já contaminam as serras do restante do Brasil. Na tentativa muitas vezes inocente (e na maioria das vezes interesseira) de homenagear cultura de imigrantes, acabam por confundir tudo o que poderia valorizá-las.
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Um dos últimos chalés antigos do centro de Gramado, finalmente valorizado. Será um espaço cultural/museu. Este estilo de casa era característico da região central. Em oposição, ao lado, um dos prédios atuais. Qualquer semelhança será, sem dúvidas, apenas triste coincidência. (Fotos: Jorge Luís Stocker Jr. /2008)
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O turista da Serra Gaúcha encanta-se com o luxo e requinte europeu do centro da cidade, atribuindo tudo isso à cultura local de imigração alemã e italiana. A simplicidade do autêntico legado cultural dos imigrantes, no entanto, é descartado e vilmente demolido a cada dia. O próprio legado imaterial desaparece sem maiores registros. Enquanto isso, o que estes espaços falsificados narram aos seus turistas?
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Vejamos por exemplo o “Parque do Imigrante”, em Nova Petrópolis, que pretende-se “histórico”. E o que encontramos nele é, no mínimo, revoltante: construções centenárias em técnica enxaimel, que foram cruelmente arrancadas de seus contextos originais, no interior do município, e posteriormente reconstruídas sem uso da técnica original (basta ver os parafusos e pregos!). A construção artificial de paisagens, sem vínculo real algum, com inclusive acréscimos e mudanças no corpo das edificações, não nos parece uma boa forma de “preservar a história”, quanto menos a memória – ainda mais sabendo-se que a última vincula-se muito facilmente aos espaços.
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Desrespeito histórico com a igreja evangélica, original da localidade de Linha Araripe. A igreja foi demolida e reconstruída no Parque Aldeia do Imigrante de Nova Petrópolis, com a invenção de uma torre “enxaimel” e de uma abside, utilizando pregos ao invés dos encaixes enxaimel. (Fotos: histórica Jornal o Diario 22.04.2009 e Jorge Luís Stocker Jr./2008)
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Já no centro das cidades da Serra Gaúcha, a profusão de edifícios novos “com estilo antigo” é intensa, todos na luta incessante pela fachada mais luxuosa e/ou exagerada. Não há qualquer relação com a técnica enxaimel original, pois os prédios tem estrutura de concreto armado. Não há sequer vinculação com a estética das estruturas originalmente praticadas na região, consequentes do local de origem dos imigrantes: estes prédios evocam paisagens suíças, ou imitam edificações bávaras/blokausse, as quais originalmente sequer existiram no Brasil. Isso quando não são prédios comuns, com aplique de trama de madeira completamente desproporcionada, gerando um conflito visual terrível. O enxaimel, nestes casos, não passa de um “agregado” posterior à fachada, valendo-se da estética para vender um clima europeu, a ser consumido pelo turista.
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Típico prédio gramadense, conseqüência do consumo de paisagens artificiais pelo turismo de massas e da legislação municipal, que isenta impostos para construções deste tipo. (Foto: Jorge Luís Stocker Jr/2008)
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E o que será legado para o futuro, como retrato de nosso tempo, dos avanços construtivos ou mesmo estéticos? Sejamos razoáveis: este tipo de edificação, que falsifica uma técnica histórica de modo a reduzi-la a um adorno de fachada, tem algo a narrar às futuras gerações, além da decadência cultural e da falta de escrúpulos do mercado imobiliário? Há realmente alguma “continuidade” entre o enxaimel original (técnica construtiva síntese de elementos da cultura teuta com materiais e ambiente brasileiro), cujos últimos exemplares datam da década de 1910, e o enxaimelóide (adornos de fachada em concreto ou madeira) construído a partir dos anos 90?
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Neste mar de maus exemplos, felizmente encontramos, ao poucos, a consciência despertando. Já citamos anteriormente o Museu do Pão, de Ilópolis. Mas existem outros exemplos que, apesar de não embasados na cultura local como este, mostram uma visão diferenciada de arquitetura.
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Na cidadezinha de Alto Feliz (RS), também na Serra Gaúcha, a Vinícola Don Guerino descarta qualquer tentativa de inventar tradições ou falsas paisagens culturais. Quando muitas vinícolas empreendem a construção das suas sedes em forma de castelinhos pseudo-medievais, na tentativa de estabelecer ambientes que lembrem a tradição das vinícolas européias, a Don Guerino assume arquitetônicamente o que é de fato: uma vinícola nova, em busca de sua identidade própria.
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A vinícola Don Guerino, de Alto Feliz. Volumes puros, com boa articulação de texturas. (Foto: Jorge Luís Stocker Junior)
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O projeto do Arquiteto Daniel Palavro toma partido da linguagem contemporânea, utilizando um volume prismático alongado e horizontal. A boa distribuição dos espaços internos, refletida em uma geometria bem resolvida, reforça a qualidade estética do prédio. A articulação de volumes e de texturas é simples, mas nada simplória. O entorno, rodeado de morros verdes e dos vinhedos, emoldura perfeitamente sua existência, em contraste com as linhas retas.
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Deixemos o patrimônio histórico da região, ainda bastante significativo por sinal, contar sua história. Que, aliás, o poder público de Alto Feliz tenha a sensibilidade de inventariar as edificações, e protegê-las efetivamente, pois são determinantes para a construção da identidade derivada da cultura alemã e para o potencial turístico cultural.
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Outro ângulo do prédio da vinícola. (Foto: Jorge Luís Stocker Junior)
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E que possamos continuar construindo uma história autêntica, dando sim continuidade ao legado deixado pelo passado, mas respeitando seu limite temporal. É essencial pensar no atual como um legado para o futuro (mesmo em época de desapego espacial, pensar nesta atitude como forma de qualificar o presente): construindo uma arquitetura realmente vinculada ao nosso tempo, ao momento da arquitetura atual, sem falsificar a própria história que vivemos.
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Texto: Jorge Luís Stocker Jr.
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Observação: O texto anterior, relativo a destruição de uma casa histórica em Campo Bom foi temporariamente removido e deverá ser republicado em breve, complementado.
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VEJA TAMBÉM:
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- O bom exemplo de Ilópolis no desenvolvimento turístico – Museu do Pão;
- Vídeo de visita da ASAEC à vinícola Don Guerino.
-Site da vinícola Don Guerino.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Exposição Fotográfica Hamburgo Velho, Novos Olhares

Exposição fotógrafica busca mostrar olhares diferenciados sob o centro histórico de Novo Hamburgo

Divulgação

Buscando retratar parte do extenso acervo histórico que se esconde por trás das diferentes igrejas, casas, museus e demais obras arquitetônicas do mais antigo bairro de Novo Hamburgo, o grupo Fotochimas apresenta a exposição: “Hamburgo Velho, Novos Olhares”. Escolhido como tema por sua relevância cultural, Hamburgo Velho foi o primeiro núcleo urbano da cidade e conserva, até hoje, um cenário bastante interessante e heterogêneo.

Na exposição, que será realizada de 20 de outubro a 11 de novembro, no Espaço Aberto, em Novo Hamburgo, poderão ser vistos os mais variados monumentos históricos e paisagens do bairro histórico. Uma sequência de 32 fotos busca lançar novos olhares sob o tema, que vem atraindo cada vez mais atenção.

Além do centro histórico, entre os locais retratados estão prédios situados na Rua General Osório, considerada um corredor histórico-cultural da cidade.
Com grande importância social, a Igreja Evangélica Luterana dos Reis Magos e a Igreja Nossa Senhora da Piedade também aparecem entre as imagens registradas pelas
lentes dos oito fotógrafos gaúchos, colegas do grupo Fotochimas.

Criado recentemente, o Fotochimas é um grupo formado por fotógrafos profissionais e amadores do Rio Grande do Sul, interessados em compartilhar informações e conhecimentos sobre fotografia. Para isto, o grupo promove vários encontros fotográficos, além de participar dos mais variados workshops e palestras sobre o assunto.

Com a exposição, pretendemos mostrar aos visitantes todo o colorido, texturas, luzes e expressões que realçam as diferentes belezas que os cercam em Novo Hamburgo”, afirma Graziela de Oliveira, autora de 5 das 32 fotos.

Fotógrafos participantes:

Elis Regina Berndt*
Grazi Oliveira
Guilherme Skylwalker
Jorge Luís Stocker Junior*
Juliana Fleck
Rodrigo Gressler
Suzana da Luz

(*autores deste blog)

Exposição:
Hamburgo Velho, Novos Olhares
Apresentador: Fotochimas – Fotografia e Amizade
Data: de 20 de outubro a 11 de novembro
Horário de visitação: das 9 às 18 horas
Local: Espaço Aberto, Centro Cultural Albano Hartz, Calçadão de Novo Hamburgo
Informações: http://www.fotochimas.com.br

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Eles não estão mais entre nós

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O fantasma de bens históricos significativos, demolidos num passado recente, ainda assombram o meio urbano da cidade de Campo Bom (RS)
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Aspecto do centro histórico da cidade (fonte: Acervo digital / Roberto Atkinson)
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Campo Bom situa-se na Região Metropolitana de Porto Alegre, conurbada com o município de Novo Hamburgo. A "Pequena Gigante do Vale", como ficou conhecida devido a prosperidade econômica, tem desde sempre crescido sem a devida reflexão sob o meio urbano.
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Cinema Imperial, um dos bens que resistem no centro da cidade (foto: Elis Regina Berndt)
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Mas é com assombro que verificamos uma verdadeira "devastação" do seu patrimônio histórico arquitetônico. Torna-se difícil - senão impossível - a leitura dos diferentes momentos da história do município. Observamos a destruição completa de todas as casas enxaimel situadas na área urbana (que remeteriam ao período da colonização e características rurais), de praticamente todas as casinhas ecléticas ao longo da Avenida Brasil (antiga strassendorf pela qual desenvolveu-se o núcleo inicial) e o já significativo e gradual desaparecimento das construções do início do século XX (as casas ecléticas com influência da imigração).
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Analisando o Inventário do Patrimônio Cultural, realizado no ano de 1996 pelo poder público municipal, percebemos que em apenas 13 anos, a cidade perdeu uma dezena de importantes referenciais históricos.
Apresentaremos aqui três destas edificações.
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Villa Ida
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Aspecto da Villa Ida (fonte: acervo digital/Roberto Atkinson)
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Construída em 1924, a casa pertenceu ao proprietário da primeira fábrica calçadista do município, Gustavo Vetter. O nome é uma homenagem a sua esposa, Ida Blauth.
A Villa Ida foi demolida, apesar de constante no inventário remetido ao IPHAE e IPHAN, deixando uma triste lacuna no conjunto histórico antes existente no centro da cidade.
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Dentro deste conjunto, encontra-se a casa de Alfredo Blos, a antiga Estação Ferroviária, o Cinema Imperial, e o prédio da Fábrica dos Vetter. Tal conjunto encontra-se hoje irremediavelmente desfigurado.
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Conjunto histórico do centro da cidade, hoje desfigurado pela ausência da Villa Ida e modificação da casa à esquerda. A antiga casa de Alfredo Blos e a estação ferroviária ainda existem. (Fonte: acervo digital/Roberto Atkinson)
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Aspecto atual do terreno. Progresso? (Foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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Villa Julieta
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Aspecto da Villa Ida. (fonte: Arquivo digital/Pref. Municipal)
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Construída em 1931, projeto do construtor licenciado João Hilgert.
Teria sido demolida sem autorização, pouco tempo após a conclusão do inventário.
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A Villa Julieta também fazia parte de um conjunto histórico homogêneo. No entorno imediato, analisa-se a presença da Villa Ella, Sede Social do Clube XV, Casa de Felipe Blos (ainda existentes), e os prédios da Calçados Castello na esquina em frente (completamente desfigurado por painéis publicitários) e da primeira Prefeitura, no terreno ao lado e também já demolido.
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Aspecto do terreno, que serviu por décadas como posto de lavagem. Progresso? Atualmente a construção de um prédio residencial preenche o terreno. (Foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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Casa de Pedro Blos Fº
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A casa no ano de 2006, pouco tempo antes de sua demolição. (foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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Casa eclética integrante do conjunto histórico que caracterizava o bairro Porto Blos. Seu lote tem fundos para o Rio dos Sinos. Além do prédio original, contava com a mureta e portãozinho de acesso da época. Foi completamente demolida no ano de 2007.
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O terreno já vazio. Até mesmo a mureta foi demolida.
Apenas as palmeiras testemunham a existência anterior da casa. Progresso? (Foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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Estes são apenas 3 dos 10 bens inventariados demolidos.Podemos perceber, analisando o total dos dez bens históricos já demolidos na área urbana, que nenhum deles deu lugar a outra construção de relevância arquitetônica, social ou econômica.
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O que vemos não é o tão aclamado "progresso", mas uma devastação brutal e sem motivos. Afinal, os terrenos são usados hoje como postos de lavagem, estacionamentos, revendas de carros -, como se não houvessem outras áreas na cidade para abrigar tais estabelecimentos - ou mesmo continuam abandonados sem qualquer uso.
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Serão esses telheiros de brasilit/eternit ou esses terrenos baldios abandonados, o tão aclamado progresso evocado pela derrubada das casas?

Veja mais:
- Localização das casas com as imagens do inventário de 1996, no Panoramio do Die Zeit:
[1] Villa Ida
[2] Villa Julieta

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