segunda-feira, 13 de abril de 2009

Apresentando... Picada 48 Alta, localidade de Ivoti (RS)

ATENÇÃO - ESTE ARTIGO NÃO DEVE SER REPRODUZIDOS SEM AUTORIZAÇÃO EXPRESSA.
O Rio Grande do Sul é muito deficiente na divulgação do patrimônio cultural da imigração alemã. As massas são conduzidas para os locais mais cenográficos possíveis, em detrimento da autenticidade. Oferecemos para o turista o que temos de pior em termos de preservação cultural, as “cidades temáticas” Gramado e Canela, e mais recentemente, Nova Petrópolis. O luxo forçado e o pretensioso clima europeu encanta os turistas, ao mesmo tempo que sobrepõe e elimina a simplicidade encantadora da cultura trazida pelos imigrantes alemães.
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Casa enxaimel localizada em Picada 48 Alta (foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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A falta de um projeto amplo e adequado, com responsabilidade cultural, torna os locais mais autênticos pouco atraentes, pela falta de investimentos, atrativos de acesso público e mesmo de informações a respeito dos lugares. Assim é Picada 48 Alta, em Ivoti: um diamante em estado bruto, lugar muito simples, mas repleto de preciosidades prontas para serem apreciadas por quem seja capaz de reconhecê-las.
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Um pouco do cotidiano de Picada 48 Alta, em Ivoti (RS) (foto: Elis Regina Berndt)
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Picada 48 Alta situa-se no alto de um morro, com acesso por um dos trechos menos movimentados da Avenida Presidente Lucena. Devido a ter ficado fora da “rota” de passagem, esta localidade não teve o mesmo desenvolvimento alcançado pelo núcleo chamado Bom Jardim, hoje sede do município.
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Casa enxaimel em Picada 48 Alta, localidade de Ivoti (RS) (foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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As constantes enchentes do Arroio Feitoria teriam sido motivo para o desenvolvimento da Picada no alto do morro, e não na sua encosta. Tais enchentes foram ainda a causa da decadência do local conhecido como Buraco do Diabo, outrora centro regional, mas que ficou por décadas abandonado e, adquirido e restaurado pela administração municipal, é hoje principal ponto turístico de Ivoti [este local será apresentado em outro artigo].
Logo ao chegar na localidade, é possível visitar o Armazém Fritzen. O prédio, construído em técnica enxaimel, já serviu de Salão de Baile e é até hoje o principal ponto comercial.
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O Armazém Fritzen, construído em técnica enxaimel, ainda preserva características de venda colonial. (foto: Elis Regina Berndt.)
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Mais a frente, encontramos um interessante conjunto construído em técnica enxaimel. É possível observar a construção em separado de dois blocos: a residência e a cozinha (bloco menor). Este tipo de configuração foi muito comum na adaptação sul rio-grandense da técnica enxaimel utilizada na Alemanha . Enquanto na Alemanha rural o mais comum era um bloco único, aqui este bloco foi subdividido. A principal razão para esta separação era a prevenção de incêndios.
O mais interessante é que este modelo residência+cozinha, encontrado logo na entrada da localidade, vai se repetir quase uma dezena de vezes ao longo da Rua 48 Alta. Encontramos várias casas com estrutura praticamente iguais (desprezando adições e reformas posteriores), num raro caso de “modelo” reproduzido às dúzias numa mesma localidade.
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Conjunto residência + cozinha preservado em suas características originais. (foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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A localidade preserva até os dias atuais sua vocação rural. Saem da estrada principal diversas estradas particulares que levam até as suas respectivas plantações, ficando as residências enxaimel mais próximas da rua principal (algumas até hoje são sede das propriedades). Mais próximo a divisa com Dois Irmãos, as criações de muares na beira da estrada são um atrativo a parte.ATE
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Uma das tantas casinhas enxaimel construídas com a técnica original na Picada 48 Alta, em Ivoti (RS) (foto: Elis Regina Berndt.)
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Durante todo o caminho, também pode-se apreciar uma característica muito interessante das regiões rurais do Rio Grande do Sul, tanto de colonização alemã quanto italiana e açoriana: os muros de pedra, alguns deles já centenários. Estes muros delimitam áreas de plantação e áreas pastoris, além dos próprios limites da propriedade.
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Características rurais, com destaque ao muro de pedras delimitando a propriedade. (foto: Elis Regina Berndt).
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Picada 48 Alta não é atraente para o turismo de massas. É tampouco um local movimentado, devido a existência de outras estradas de ligação entre Dois Irmãos e Ivoti, melhores conservadas. É, no entanto, uma das poucas localidades da região metropolitana de Porto Alegre que preserva quase que integralmente suas características da época da colonização.
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Casa enxaimel com uso residencial em Picada 48 Alta (foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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É inegável a importância da técnica enxaimel como manifestação cultural autêntica, trazida pelos imigrantes alemães. Pela quantidade de construções enxaimel, a Picada 48 Alta é sem dúvidas, um núcleo rural muito relevante e com grande potencial a ser explorado de forma responsável. Torna-se urgente um levantamento abrangente, juntamente com ações de educação patrimonial, de forma a valorizar este conjunto e permitir que ele seja preservado para as próximas gerações.
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Texto: Jorge Luís Stocker Jr.

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Veja também:

- Site oficial da Prefeitura de Ivoti, com informações turísticas.

- Duas fotos de Picada 48 Alta no Panoramio, situadas no mapa [ 1 | 2 ]

segunda-feira, 16 de março de 2009

Apresentando... Santa Maria do Herval (RS)

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Em busca da história da imigração alemã no Rio Grande do Sul, o turista mais desavisado pode acabar no centro de Gramado, admirando prédios construídos a menos de uma década em estrutura de concreto. Já na pequena cidade vizinha, Santa Maria do Herval, a história se mostra teimosamente preservada – apesar de não haver nenhum dispositivo legal pela proteção do patrimônio.
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A tranquilidade de um domingo em Santa Maria do Herval, chamada de Teewald no dialeto local(foto: Jorge Luís Stocker Jr)
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Santa Maria do Herval está incluída na Rota Romântica. Apesar disso, não conta com qualquer estrutura turística. Pontos de interesse existem: são diversas casas enxaimel originais espalhadas pelo município e suas localidades. O problema, porém, é o de sempre. Não existe vontade política para efetivar o tombamento, ou para motivar a revitalização e restauro dessas construções.
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Casa de comércio, num estilo eclético típico da imigração alemã. O fechamento dos vãos seria facilmente reversível, num programa de revitalização dos prédios históricos. (Foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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Isso, trocando em miúdos, mostra o despreparo da cidade em receber turismo e mesmo em preservar seu aspecto de cidade histórica da imigração alemã. Hoje, o turista pode passear por lá e se encantar com as casas em técnica enxaimel originais da imigração. Porém, quando voltar trazendo alguém junto para ver, pode não mais encontrar as mesmas construções. Afinal, nada garante a sobrevivência desse patrimônio.
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Caso interessante de residência em técnica enxaimel (rebocada), e anexo em alvenaria com telhado de quatro águas (Foto: Elis Regina Berndt)
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Apesar disso, a cidade preserva em sua área urbana alguns interessantes exemplares, a grande maioria tendo ainda hoje uso residencial. É interessante ver essas casas centenárias sendo utilizadas normalmente até hoje. Felizmente, não há na área urbana nenhuma casa abandonada.
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Casinha enxaimel com uso residencial, na área urbana do município. (Foto: Elis Regina Berndt)
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O dialeto Hunsrückisch
O mais interessante, porém, é o patrimônio imaterial do local. A língua oficial parece ser o dialeto Hunsrückisch (relativo a região do Hunsrick, de onde vieram os imigrantes alemães que se estabeleceram neste local a partir de 1854). É muito interessante caminhar pelo local e ver conversas em alemão dialeto acontecendo aqui e ali, algo em extinção nas antigas colônias mais desenvolvidas nos dias atuais, como Novo Hamburgo.
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Conjunto enxaimel construído em duas etapas, com uso residencial. (foto: Elis Regina Berndt)

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Divertido também, é entrar nas casas de comércio da região. Tudo que você perguntar, será provavelmente respondido em alemão, até que você informe que não domina o dialeto. Apesar de muito desconfiadas, após apresentações as pessoas se tornam muito receptivas.
Os olhares curiosos são frequentes, já que a quantidade de turistas que passam pela cidade ainda é quase nula, e os poucos que passam por ali dificilmente descem do carro para conhecer melhor o local.
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Relíquias Históricas

As duas grandes relíquias históricas da cidade são a Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora, e o casarão enxaimel que abriga o Museu Histórico da cidade.
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A igreja de Nossa Senhora Auxiliadora destacando-se na paisagem local (Foto: Elis Regina Berndt )
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A igreja foi construída em 1909 e complementada em 1935, no belíssimo estilo neogótico. A impressão é de realmente estar visitando um templo na Alemanha rural, tal a precisão e o cuidado com o uso das formas históricas. A surpresa fica por conta do interior, onde se teve o cuidado de construir naves laterais e falsas abóbadas. As inscrições em alemão ajudam a construir este clima.
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O interior da igreja. Numa das abóbadas, lê-se a inscrição em alemão “Maria Mit Dem Kinde Liebe Uns Allen Deinen Segen Gibt” (Foto: Elis Regina Berndt)
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Destaca-se ainda o trabalho de marcenaria dos altares e púlpito, também com formas neogóticas. Nos altares, encontram-se três imagens trazidas de Munique (Alemanha), em 1870.
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Museu Municipal (foto: Jorge Luís Stocker Jr)
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Já na entrada da cidade, um casarão antigo chama atenção na paisagem da cidade. Trata-se do Museu Histórico Municipal, instalado no antigo casarão construído totalmente em técnica enxaimel de influência vestfaliana.
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Texto: Jorge Luís Stocker Jr.
Imagens: Elis Regina Berndt e Jorge Luís Stocker Jr.
Informações e imagens referentes a visita feita em 30.08.08.

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Leia também
História da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Enxaimel em Hamburgo Velho

Apresentando... O Centro Histórico de Hamburgo Velho (Parte 2)
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Após a introdução histórica da parte I, seguimos agora apresentando o centro histórico de Novo Hamburgo, o bairro Hamburgo Velho.
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Hamburgo Velho em 1910. (Fonte: Enciclopédia Rio-Grandense)
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A técnica enxaimel
O enxaimel é uma técnica construtiva que consiste na montagem de uma estrutura independente de madeiras encaixadas – sem uso de pregos. O conhecimento construtivo veio com os imigrantes alemães, e foi aqui adaptado às necessidades e materiais encontrados na região.

Casa Schimitt-Presser, e a Fundação Scheffel em segundo plano (foto: Jorge Luís Stocker Jr.).
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As casas enxaimel foram construídas nos primórdios da colonização, consistindo na primeira forma de habitação definitiva. Mais tarde, a técnica seria substituída pelas construções de alvenaria no estilo eclético.
No bairro Hamburgo Velho, ainda hoje encontramos três exemplares desta técnica.
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Casa Schmitt-Presser
O mais importante exemplar de enxaimel de Hamburgo Velho, foi o primeiro representante desta técnica tombado pelo IPHAN. É possível observar que as vigas de madeira utilizadas na estrutura foram falquejadas de maneira rudimentar.
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Viga falquejada na casa Schimitt-Presser(foto: Jorge Luís Stocker Jr.).
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A Casa Schmitt-Presser abrigava o importante entreposto comercial citado no primeiro texto da série, devido a sua excelente localização.
Abriga hoje um museu, com acervo relativo à imigração alemã.
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Casa Kayser

Casa Kayser em 2009, depredada (foto: Elis Regina Berndt)
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Sobrado construído em enxaimel, apesar de ter sido inteiramente rebocado, com acréscimo inclusive de um friso na fachada. Ainda é possível observar a marcação das vigas de madeira pelo reboco nas laterais e fundos.
Seu interior ainda é bastante original, contando com mobiliário da padaria que já funcionou no local.
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Fundos da Casa Kayser, onde aparecem as vigas através do reboco. Ao fundo, a Igreja dos Reis Magos (IECLB) e ao lado, ruínas do Evangelische Stift (foto: Jorge Luís Stocker Jr.).
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Infelizmente, apesar de sua importância como exemplar da técnica, a casa não é tombada a nenhum nível. Encontra-se desocupada desde o falecimento dos proprietários. Suas esquadrias estão em avançada degradação.
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Esquadria degradada na casa Kayser (foto: Elis Regina Berndt)
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É inegável seu potencial para atividades culturais, ou até mesmo um museu, devido ao seu relativo bom estado de conservação do mobiliário original.

Casa Ody
Havia no local um importante exemplar de enxaimel, datado provavelmente de 1850. Infelizmente foi demolido e reconstruído com materiais atuais, um equívoco comum em algumas das “restaurações” realizadas no bairro.
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A casa Ody original, nos anos 90. Foto cedida por Paulo Dias Nunes.



A réplica construída no local (foto: Jorge Luís Stocker Jr.).
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O bairro perdeu assim um interessante exemplar de arquitetura vernacular, recebendo em substituição, uma lamentável réplica. Espera-se que este não seja o triste destino da Casa Kayser.

Texto: Jorge Luís Stocker Jr.

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Leia também

- Arquitetura da Imigração Alemã no Brasil (livro)- Arq. Günter Weimer

- Uma Venda Alemã - matéria sobre a Casa Schimitt-Presser