segunda-feira, 22 de junho de 2009

NOVO HAMBURGO: Rua General Osório, o corredor histórico-cultural

ATENÇÃO - ESTE ARTIGO NÃO DEVE SER REPRODUZIDOS SEM AUTORIZAÇÃO EXPRESSA.
Novo Hamburgo, assim como a grande maioria das cidades brasileiras, perdeu muitos de seus prédios históricos nas últimas décadas. O período de industrialização foi crítico, ocorrendo um crescimento econômico e populacional rápido e mal planejado, nunca acompanhado pelo aumento da qualidade de vida, cultura e educação.
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Antiga Sede da Sociedade Frohsin (provavelmente durante passeata integralista?) (fonte: acervo digital / Prefeitura g. 2004)).

O prédio no seu aspecto atual. Teria sido projetado por Theo Wiederspahn (foto: Jorge Luís Stocker Jr, Junho 2009).
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Devido a essa mentalidade – que apesar da(s) crise(s), parece estar em voga até hoje – o centro da cidade tornou-se um local feio, confuso e com poucas referências. A cidade inteira sofre do mesmo mal.
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Apesar de tudo, ainda é possível ter uma boa leitura da história do desenvolvimento da cidade no próprio meio urbano, quando prestamos atenção em uma rua que foi uma das frentes de crescimento da cidade. Esta rua é a General Osório - antigamente a principal via de ligação entre Hamburgo Velho e o Centro da cidade.
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Prédio histórico do Colégio Santa Catarina, representa até hoje a importância social da rua (foto: Jorge Luís Stocker Jr, outubro 2008)
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Devido a isso e a relativamente boa quantidade de exemplares históricos importantes ainda preservados, a rua foi declarada um Corredor Histórico-Cultural no Plano Diretor de 2004.
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“ 2. CC NH-HV - Corredor Histórico-Cultural de ligação Novo Hamburgo-Hamburgo Velho: Corredor vinculado à Rua General Osório no Bairro Hamburgo Velho com características histórico-cultural e paisagística. Ocupação e uso preferencial habitacional unifamiliar, comercial, prestação de serviços e de desenvolvimento do potencial turístico, apresentando necessidade de projeto especial.” (Seção IV, Artigo 32)
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Casa Gerhardt, em seu aspecto antigo. (fonte: acervo digital / Prefeitura g. 2004)).

Casa Gerhardt, em seu aspecto atual, com algumas modificações. (foto: Elis Regina Berndt, Junho 2009)
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A iniciativa, importante para embasar a preservação das construções ainda existentes na rua quando ocorrer alguma solicitação de demolição ou de construção inadequada, infelizmente não tem ainda o alcance desejado. O projeto especial mencionado nunca foi elaborado.
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Casa Richter, com sua fachada de 1904 muito bem conservada, é um exemplo de preservação. A foto apresenta o uso de sótão no frontão, típico da arquitetura eclética com influência da imigração alemã (foto: Elis Regina Berndt, junho 2009)

Detalhe de maçaneta da Casa Richter (foto: Elis Regina Berndt, junho 2009)
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A população continua de costas para a história da cidade, usando a rua apenas como corredor de passagem. Se o “centro histórico” de hamburgo velho em si sofre com o descaso, o que dizer de uma via que, com muita dificuldade, apenas mantém algumas características históricas, e sem maiores atrativos visitáveis e receptivos?
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Casa Grünn (foto: Jorge Luís Stocker Jr, Junho de 2009).
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Apesar da série de problemas, que envolvem a estética urbana, falta de cuidado com painéis publicitários, vegetação desordenada e inadequada, calçadas irregulares entre outros, caminhar pela Rua General Osório ainda é um interessante exercício de contemplação e descoberta histórica.
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Ainda é possível reconhecer a marquise e a coluna em V do Antigo Posto Engel (foto: Elis Regina Berndt, junho 2009)
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Uma das poucas casas em madeira conservadas, a Casa Wingert apresenta uso de lambrequins. (foto: Elis Regina Berndt, junho 2009)
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A centenária Casa Klein, outro exemplo de boa conservação e de respeito ao patrimônio.
Também apresenta fortes características da imigração alemã.
(foto: Jorge Luís Stocker Jr, outubro 2008)
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Texto: Jorge Luís Stocker Jr.
Imagens: Elis Regina Berndt e Jorge Luís Stocker Jr.

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quarta-feira, 10 de junho de 2009

Varal Fotográfico Campo Bom - Legado Cultural

Os autores do blog estarão promovendo um varal fotográfico durante a Festa do Sapato, em Campo Bom.

Venha apreciar o legado cultural da cidade, conversar conosco e curtir a Festa!


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Participe do Fotochimas - Fotografia e Amizade.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Apresentando... Picada 48 Alta, localidade de Ivoti (RS)

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O Rio Grande do Sul é muito deficiente na divulgação do patrimônio cultural da imigração alemã. As massas são conduzidas para os locais mais cenográficos possíveis, em detrimento da autenticidade. Oferecemos para o turista o que temos de pior em termos de preservação cultural, as “cidades temáticas” Gramado e Canela, e mais recentemente, Nova Petrópolis. O luxo forçado e o pretensioso clima europeu encanta os turistas, ao mesmo tempo que sobrepõe e elimina a simplicidade encantadora da cultura trazida pelos imigrantes alemães.
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Casa enxaimel localizada em Picada 48 Alta (foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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A falta de um projeto amplo e adequado, com responsabilidade cultural, torna os locais mais autênticos pouco atraentes, pela falta de investimentos, atrativos de acesso público e mesmo de informações a respeito dos lugares. Assim é Picada 48 Alta, em Ivoti: um diamante em estado bruto, lugar muito simples, mas repleto de preciosidades prontas para serem apreciadas por quem seja capaz de reconhecê-las.
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Um pouco do cotidiano de Picada 48 Alta, em Ivoti (RS) (foto: Elis Regina Berndt)
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Picada 48 Alta situa-se no alto de um morro, com acesso por um dos trechos menos movimentados da Avenida Presidente Lucena. Devido a ter ficado fora da “rota” de passagem, esta localidade não teve o mesmo desenvolvimento alcançado pelo núcleo chamado Bom Jardim, hoje sede do município.
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Casa enxaimel em Picada 48 Alta, localidade de Ivoti (RS) (foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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As constantes enchentes do Arroio Feitoria teriam sido motivo para o desenvolvimento da Picada no alto do morro, e não na sua encosta. Tais enchentes foram ainda a causa da decadência do local conhecido como Buraco do Diabo, outrora centro regional, mas que ficou por décadas abandonado e, adquirido e restaurado pela administração municipal, é hoje principal ponto turístico de Ivoti [este local será apresentado em outro artigo].
Logo ao chegar na localidade, é possível visitar o Armazém Fritzen. O prédio, construído em técnica enxaimel, já serviu de Salão de Baile e é até hoje o principal ponto comercial.
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O Armazém Fritzen, construído em técnica enxaimel, ainda preserva características de venda colonial. (foto: Elis Regina Berndt.)
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Mais a frente, encontramos um interessante conjunto construído em técnica enxaimel. É possível observar a construção em separado de dois blocos: a residência e a cozinha (bloco menor). Este tipo de configuração foi muito comum na adaptação sul rio-grandense da técnica enxaimel utilizada na Alemanha . Enquanto na Alemanha rural o mais comum era um bloco único, aqui este bloco foi subdividido. A principal razão para esta separação era a prevenção de incêndios.
O mais interessante é que este modelo residência+cozinha, encontrado logo na entrada da localidade, vai se repetir quase uma dezena de vezes ao longo da Rua 48 Alta. Encontramos várias casas com estrutura praticamente iguais (desprezando adições e reformas posteriores), num raro caso de “modelo” reproduzido às dúzias numa mesma localidade.
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Conjunto residência + cozinha preservado em suas características originais. (foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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A localidade preserva até os dias atuais sua vocação rural. Saem da estrada principal diversas estradas particulares que levam até as suas respectivas plantações, ficando as residências enxaimel mais próximas da rua principal (algumas até hoje são sede das propriedades). Mais próximo a divisa com Dois Irmãos, as criações de muares na beira da estrada são um atrativo a parte.ATE
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Uma das tantas casinhas enxaimel construídas com a técnica original na Picada 48 Alta, em Ivoti (RS) (foto: Elis Regina Berndt.)
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Durante todo o caminho, também pode-se apreciar uma característica muito interessante das regiões rurais do Rio Grande do Sul, tanto de colonização alemã quanto italiana e açoriana: os muros de pedra, alguns deles já centenários. Estes muros delimitam áreas de plantação e áreas pastoris, além dos próprios limites da propriedade.
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Características rurais, com destaque ao muro de pedras delimitando a propriedade. (foto: Elis Regina Berndt).
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Picada 48 Alta não é atraente para o turismo de massas. É tampouco um local movimentado, devido a existência de outras estradas de ligação entre Dois Irmãos e Ivoti, melhores conservadas. É, no entanto, uma das poucas localidades da região metropolitana de Porto Alegre que preserva quase que integralmente suas características da época da colonização.
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Casa enxaimel com uso residencial em Picada 48 Alta (foto: Jorge Luís Stocker Jr.)
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É inegável a importância da técnica enxaimel como manifestação cultural autêntica, trazida pelos imigrantes alemães. Pela quantidade de construções enxaimel, a Picada 48 Alta é sem dúvidas, um núcleo rural muito relevante e com grande potencial a ser explorado de forma responsável. Torna-se urgente um levantamento abrangente, juntamente com ações de educação patrimonial, de forma a valorizar este conjunto e permitir que ele seja preservado para as próximas gerações.
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Texto: Jorge Luís Stocker Jr.

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Veja também:

- Site oficial da Prefeitura de Ivoti, com informações turísticas.

- Duas fotos de Picada 48 Alta no Panoramio, situadas no mapa [ 1 | 2 ]