Agora o Die Zeit - Patrimônio Cultural e história do Rio Grande do Sul está também no twitter.
http://twitter.com/dzeitrs
O Twitter será a partir de hoje uma importante ferramenta para divulgarmos com mais rapidez casos, opiniões e informações que provavelmente não teríamos condições de desenvolver em um artigo completo para o blog.
Continuaremos lutamos contra o tempo escasso para conseguirmos continuar publicando artigos completos aqui no blog!
Jorge Luís Stocker Jr.
sexta-feira, 11 de março de 2011
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Die Zeit - Dois anos no ar!
O blog Die Zeit completa hoje (25/02/2011) dois anos de sua publicação!
Temos a comemorar, principalmente, o acréscimo que tivemos em visitação: praticamente 80% em relação ao que atingimos no primeiro ano. Embora a marca de 8610 visitas seja modesta, nos orgulhamos dela pela consciência de mantermos um blog com esta temática, que nem sempre é de interesse geral, atingindo um público alvo muito específico. Constatamos a existência de uma lacuna; que é a difusão e pensamento crítico a respeito do patrimônio cultural gaúcho, que estamos tentando ocupar da melhor forma possível.
Receiosos de estarmos superestimando nossa pequena abrangência, acreditamos ter sido felizes este último ano, ao difundir informações e opiniões em questões críticas e pontuais, como a desfiguração do centro histórico de São Leopoldo (primeiramente contra uma homenagem equivocada, e posteriormente quanto a insistência do poder público daquela cidade). Mas para além das polêmicas, e mostrando que não estamos apenas tentando nos auto-promover, procuramos exorcizar o clima pesado e hostil que permeia a área de patrimônio cultural, com textos mais lúdicos, abordando a relação entre algumas animações computadorizadas, como Up! e Toy Story, com conceitos de patrimônio cultural, ou mesmo nos divertindo com as vaquinhas da Cow Parade. Se por um lado, compartilhamos resultados de pesquisas científicas, como no caso do texto sobre análise de fotografias; por outro, buscamos não nos preocupar com dogmatismos do meio acadêmico, arriscando um tom mais categórico quando julgamos necessário (como nesta desfiguração de uma casa histórica na Rua da Praia de Porto Alegre). Nosso foco no último ano foi sugerir um pensamento crítico a respeito dos inventários do patrimônio cultural, ineficientes (como frisamos no caso de Campo Bom) ou mesmo ainda inexistentes. É uma tecla que pretendemos continuar pressionando, com a esperança de que consigamos sensibilizar quanto a necessidade de uso correto deste instrumento como ponto de partida para políticas patrimôniais eficientes. Escrevemos não como os grandes teóricos que não somos, mas com a certeza de estarmos buscando a continuidade dos bens patrimoniais, sendo categóricos a respeito das justificadtivas hipócritas que visam contemplar interesses particulares.
Nosso agradecimento a todos que nos acompanham, pelo tempo e paciência que concedem.
Obrigado!
Jorge Luís Stocker Junior.
Temos a comemorar, principalmente, o acréscimo que tivemos em visitação: praticamente 80% em relação ao que atingimos no primeiro ano. Embora a marca de 8610 visitas seja modesta, nos orgulhamos dela pela consciência de mantermos um blog com esta temática, que nem sempre é de interesse geral, atingindo um público alvo muito específico. Constatamos a existência de uma lacuna; que é a difusão e pensamento crítico a respeito do patrimônio cultural gaúcho, que estamos tentando ocupar da melhor forma possível.
Receiosos de estarmos superestimando nossa pequena abrangência, acreditamos ter sido felizes este último ano, ao difundir informações e opiniões em questões críticas e pontuais, como a desfiguração do centro histórico de São Leopoldo (primeiramente contra uma homenagem equivocada, e posteriormente quanto a insistência do poder público daquela cidade). Mas para além das polêmicas, e mostrando que não estamos apenas tentando nos auto-promover, procuramos exorcizar o clima pesado e hostil que permeia a área de patrimônio cultural, com textos mais lúdicos, abordando a relação entre algumas animações computadorizadas, como Up! e Toy Story, com conceitos de patrimônio cultural, ou mesmo nos divertindo com as vaquinhas da Cow Parade. Se por um lado, compartilhamos resultados de pesquisas científicas, como no caso do texto sobre análise de fotografias; por outro, buscamos não nos preocupar com dogmatismos do meio acadêmico, arriscando um tom mais categórico quando julgamos necessário (como nesta desfiguração de uma casa histórica na Rua da Praia de Porto Alegre). Nosso foco no último ano foi sugerir um pensamento crítico a respeito dos inventários do patrimônio cultural, ineficientes (como frisamos no caso de Campo Bom) ou mesmo ainda inexistentes. É uma tecla que pretendemos continuar pressionando, com a esperança de que consigamos sensibilizar quanto a necessidade de uso correto deste instrumento como ponto de partida para políticas patrimôniais eficientes. Escrevemos não como os grandes teóricos que não somos, mas com a certeza de estarmos buscando a continuidade dos bens patrimoniais, sendo categóricos a respeito das justificadtivas hipócritas que visam contemplar interesses particulares.
Nosso agradecimento a todos que nos acompanham, pelo tempo e paciência que concedem.
Obrigado!
Jorge Luís Stocker Junior.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
São Leopoldo (RS) está sumindo - "a todo vapor"!
Imitações históricas fantasiosas. Enjambrações e desfiguração de prédios históricos. Muitos destes erros com os quais nos deparamos em nossas cidades diariamente poderiam ser justificados pela “ingenuidade”. Até mesmo algumas demolições.
Esta “ingenuidade” de que tratamos nada mais é do que a falta de conhecimento. Na maioria das vezes, a falta de acesso ao conhecimento. E ingenuidade se perdoa.
Talvez com ingenuidade, a Prefeitura Municipal de São Leopoldo lançou em 2009 um projeto de Centro Administrativo para a cidade. Localizado no coração histórico da cidade, o prédio seria um nefasto vizinho do patrimônio cultural circundante: Um bloco em altura, que tanto mimetizava o prédio Art Déco da antiga Prefeitura quanto acrescentava traves enxaimel a fachada.
Em suma, uma completa vergonha. Um projeto digno de figurar em programa humorístico, ou em alguma sátira arquitetônica de faculdade. Era difícil, à época, acreditar na veracidade da notícia. Mas ela estava lá, apresentando uma Prefeitura “vexaimel” que viria para resgatar a cultura alemã na cidade e “criar” um novo ponto turístico.
Os erros desta proposta foram aqui discutidos na ocasião, no artigo que pode ser acessado clicando aqui.
Mas o Die Zeit não discutiu sozinho. Fomos apenas uma pecinha entre muitos: Diretórios Acadêmicos de Arquitetura e Urbanismo das universidades Unisinos e Feevale; profissionais autônomos da região, Defender, IAB e o ICOMOS. Lotamos a Câmara de Vereadores.
Fomos educados e sucintos, apontando os erros da proposta, que aliás, eram muitos. O enxaimel era apenas a cereja no topo do bolo. As traves enxaimel estavam lá apenas para evidenciar a todos: “opa, alguma coisa está MUITO errada aí!”. Muitas vezes este tipo de “cereja” já fez falta, aliás. Quem sabe outras obras teriam chamado a atenção e pudéssemos ter evitado muitas atrocidades maiores.
Mas de qualquer forma, remover a cereja não muda o sabor e o formato do bolo. Tampouco girá-lo no prato. Essa analogia pobre explica a estratégia da Prefeitura Municipal para readequar o projeto, uma espécie de “cala a boca” aos que reclamavam:

Mudou a cara, mudou a posição no terreno – a essência é a mesma!
Analisando bem a edificação, vemos uma ilustração clara da decadência das obras públicas. Com dinheiro público e com a oportunidade de ouro de construir um programa especial (Prefeitura) em um território rico em informações para serem exploradas, vemos que a Prefeitura Municipal desiste do fiasco vexaimel para investir numa espécie de “torre residencial”.
A arquitetura é mais do que apenas sua funcionalidade e sua materialidade: ela também é o que parece e o que representa. Quando tratamos de um Paço Municipal, esse significado redobra.
A torre agora é "contemporânea" (sic), o projeto é o mesmo. Ele representa para a cidade o mesmo que tantas outras torres residenciais representam. Um nada. Um edifício sem o caráter que uma Prefeitura deveria ter.
Mas, se por um lado ter essa forma “residencial” poderia fazer o prédio se esconder entre o mar de mediocridade, tornando-se apenas discreto, por outro, implantá-la num local onde ainda predomina a escala colonial e praticamente ao lado de edificações históricas cruciais para o centro histórico da cidade, é completamente insano. Prejudica imensamente o perfil da rua, a ambiência histórica e a visual de entrada do município.
Parafraseando o jornalista cultural André Azevedo da Fonseca, é “como se um engraçadinho suprimisse um parágrafo da história da cidade e inserisse, por conta própria, palavrões e vulgaridades”. O efeito é o mesmo. Mas ao contrário do caso a que se referia Fonseca, aqui não estamos lidando com uma mera desfiguração de prédio histórico, mas de uma intervenção crítica no coração da cidade.
Os problemas são, enfim, nítidos e visíveis, mas agora não é ingenuidade. Está claro: com tantos órgãos importantes e profissionais gabaritados alertando sobre os problemas que esta obra da forma como é proposta irá acarretar, a Prefeitura Municipal de São Leopoldo segue a construção “a todo vapor”.

"Em São Leopoldo, a obra não pode parar". Publicado no Informe Especial do jornal Zero Hora em 12/01.
E aliás, faz questão de usar os veículos de comunicação da região para demonstrar seu poder. O prédio sai, não importa se faça chuva, sol ou vento; e daí se o Ministério Público nos processa. Não vamos parar pra pensar, agora é agir.

"Nova Prefeitura com Obra Adiantada", em reportagem típica de assessoria de imprensa publicada no Jornal VS.
Definitivamente isso não é ingenuidade. Hipocrisia? Só sei dizer que o Poder Público Municipal de São Leopoldo é privilegiado. Cada erro que comete ou pensa em cometer, lá está a sociedade, atenta, ativa, engajada. Lotando a Câmara! Que o digam as últimas duas audiências públicas, onde destaca-se a causa ambiental do Bosque de São Francisco de Assis – causa esta, que a Prefeitura parece tentar “transferir” para abafar o caso. Fico imaginando que salto de qualidade a região daria, se a sociedade reagisse sempre assim.
Mas com tanta participação, tanto engajamento, a contrapartida que a Prefeitura concede é pífia. Responde com o silêncio e a ausência nas audiências. Toma atitudes como *esta sem consultar a sociedade.
Temos uma série de ganhos particulares com consequentes prejuízos coletivos. A balança pende pra um lado. E o lado vitorioso, não está interessado com a qualidade de vida, com o entendimento e apreciação da cidade como um todo. Não está interessado na proteção das fragilizadas migalhas de ecossistemas e de patrimônio cultural. Não está interessada, enfim, em nada que torna São Leopoldo a cidade de São Leopoldo.
E fica apenas a tristeza e a revolta, ao nos depararmos com as reportagens que nos deixam claro que obra não para. Afinal, sabemos que certamente este erro não é obra da ingenuidade.
Corram, pois o que conhecemos por São Leopoldo está sumindo. E no que depender da Prefeitura e do 'cronograma da obra', será " a todo vapor".
Esta “ingenuidade” de que tratamos nada mais é do que a falta de conhecimento. Na maioria das vezes, a falta de acesso ao conhecimento. E ingenuidade se perdoa.
Talvez com ingenuidade, a Prefeitura Municipal de São Leopoldo lançou em 2009 um projeto de Centro Administrativo para a cidade. Localizado no coração histórico da cidade, o prédio seria um nefasto vizinho do patrimônio cultural circundante: Um bloco em altura, que tanto mimetizava o prédio Art Déco da antiga Prefeitura quanto acrescentava traves enxaimel a fachada.

Imagem da fachada, divulgada na internet em 2010. (fonte: PM São Leopoldo).
Em suma, uma completa vergonha. Um projeto digno de figurar em programa humorístico, ou em alguma sátira arquitetônica de faculdade. Era difícil, à época, acreditar na veracidade da notícia. Mas ela estava lá, apresentando uma Prefeitura “vexaimel” que viria para resgatar a cultura alemã na cidade e “criar” um novo ponto turístico.
Os erros desta proposta foram aqui discutidos na ocasião, no artigo que pode ser acessado clicando aqui.
Mas o Die Zeit não discutiu sozinho. Fomos apenas uma pecinha entre muitos: Diretórios Acadêmicos de Arquitetura e Urbanismo das universidades Unisinos e Feevale; profissionais autônomos da região, Defender, IAB e o ICOMOS. Lotamos a Câmara de Vereadores.
Fomos educados e sucintos, apontando os erros da proposta, que aliás, eram muitos. O enxaimel era apenas a cereja no topo do bolo. As traves enxaimel estavam lá apenas para evidenciar a todos: “opa, alguma coisa está MUITO errada aí!”. Muitas vezes este tipo de “cereja” já fez falta, aliás. Quem sabe outras obras teriam chamado a atenção e pudéssemos ter evitado muitas atrocidades maiores.
Mas de qualquer forma, remover a cereja não muda o sabor e o formato do bolo. Tampouco girá-lo no prato. Essa analogia pobre explica a estratégia da Prefeitura Municipal para readequar o projeto, uma espécie de “cala a boca” aos que reclamavam:

Mudou a cara, mudou a posição no terreno – a essência é a mesma!
Analisando bem a edificação, vemos uma ilustração clara da decadência das obras públicas. Com dinheiro público e com a oportunidade de ouro de construir um programa especial (Prefeitura) em um território rico em informações para serem exploradas, vemos que a Prefeitura Municipal desiste do fiasco vexaimel para investir numa espécie de “torre residencial”.
A arquitetura é mais do que apenas sua funcionalidade e sua materialidade: ela também é o que parece e o que representa. Quando tratamos de um Paço Municipal, esse significado redobra.
A torre agora é "contemporânea" (sic), o projeto é o mesmo. Ele representa para a cidade o mesmo que tantas outras torres residenciais representam. Um nada. Um edifício sem o caráter que uma Prefeitura deveria ter.
Mas, se por um lado ter essa forma “residencial” poderia fazer o prédio se esconder entre o mar de mediocridade, tornando-se apenas discreto, por outro, implantá-la num local onde ainda predomina a escala colonial e praticamente ao lado de edificações históricas cruciais para o centro histórico da cidade, é completamente insano. Prejudica imensamente o perfil da rua, a ambiência histórica e a visual de entrada do município.

Como compatibilizar esta escala com o edifício proposto?
Parafraseando o jornalista cultural André Azevedo da Fonseca, é “como se um engraçadinho suprimisse um parágrafo da história da cidade e inserisse, por conta própria, palavrões e vulgaridades”. O efeito é o mesmo. Mas ao contrário do caso a que se referia Fonseca, aqui não estamos lidando com uma mera desfiguração de prédio histórico, mas de uma intervenção crítica no coração da cidade.
Os problemas são, enfim, nítidos e visíveis, mas agora não é ingenuidade. Está claro: com tantos órgãos importantes e profissionais gabaritados alertando sobre os problemas que esta obra da forma como é proposta irá acarretar, a Prefeitura Municipal de São Leopoldo segue a construção “a todo vapor”.

"Em São Leopoldo, a obra não pode parar". Publicado no Informe Especial do jornal Zero Hora em 12/01.
E aliás, faz questão de usar os veículos de comunicação da região para demonstrar seu poder. O prédio sai, não importa se faça chuva, sol ou vento; e daí se o Ministério Público nos processa. Não vamos parar pra pensar, agora é agir.

"Nova Prefeitura com Obra Adiantada", em reportagem típica de assessoria de imprensa publicada no Jornal VS.
Definitivamente isso não é ingenuidade. Hipocrisia? Só sei dizer que o Poder Público Municipal de São Leopoldo é privilegiado. Cada erro que comete ou pensa em cometer, lá está a sociedade, atenta, ativa, engajada. Lotando a Câmara! Que o digam as últimas duas audiências públicas, onde destaca-se a causa ambiental do Bosque de São Francisco de Assis – causa esta, que a Prefeitura parece tentar “transferir” para abafar o caso. Fico imaginando que salto de qualidade a região daria, se a sociedade reagisse sempre assim.
Mas com tanta participação, tanto engajamento, a contrapartida que a Prefeitura concede é pífia. Responde com o silêncio e a ausência nas audiências. Toma atitudes como *esta sem consultar a sociedade.
Temos uma série de ganhos particulares com consequentes prejuízos coletivos. A balança pende pra um lado. E o lado vitorioso, não está interessado com a qualidade de vida, com o entendimento e apreciação da cidade como um todo. Não está interessado na proteção das fragilizadas migalhas de ecossistemas e de patrimônio cultural. Não está interessada, enfim, em nada que torna São Leopoldo a cidade de São Leopoldo.
E fica apenas a tristeza e a revolta, ao nos depararmos com as reportagens que nos deixam claro que obra não para. Afinal, sabemos que certamente este erro não é obra da ingenuidade.
Corram, pois o que conhecemos por São Leopoldo está sumindo. E no que depender da Prefeitura e do 'cronograma da obra', será " a todo vapor".
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